Prova de vida
Daniel Oliveira (DO) decidiu investir de novo contra o PCP. Agora a pretexto da batalha eleitoral em Lisboa. Nada de inédito na sua conhecida postura preconceituosa. Ainda que agora quando se fala da aquisição do grupo de Balsemão pelo grupo de Berlusconi a recorrência na sua verve anticomunista tenha em vista mostrar serviço perante quem aí se anuncia. Sendo assim, sempre se pode dizer que não valerá o esforço tendo em conta que entre Impresa e o grupo italiano MFE não haverá grande diferença em termos de dinâmica comunicacional na representação dos interesses do grande capital e do seu comando na linha editorial.
Para DO sendo a forma tudo e o conteúdo nada, é-lhe irrelevante percursos e sobretudo projectos. Tudo se resume a lugares, um juntar o que vier à rede sem olhar a critérios e posicionamentos. É-lhe irrelevante ter nessa “esquerda” partidos, no caso o PAN, que ali ao lado – em Sintra – se coliga com PSD e IL. Essa “esquerda” que se junta ao PS em Lisboa mas que ali ao lado – em Loures – se propõe derrotar o projecto de direita do PS. O seu desvelo pelo PS é tão tocante que sempre se poderá concluir que para DO é uma sorte não morar em Moscavide: o dilema eleitoral que lhe estava colocado só com uma tripla se resolveria.
Diz o articulista que nestas eleições “the winner take all”, ou seja “quem ganha leva tudo”. Que fique registado o que partilha de concepções com PSD e PS sobre o poder local e o seu sistema eleitoral que há muito aqueles ambicionam subverter para liquidar a dimensão plural, colegial e participada que caracteriza o poder local saído de Abril. Escusa DO vir cinicamente invocar as qualidades “oratórias e técnicas” de João Ferreira procurando cingi-las a isso. Mais que oratória, o que ali se condensa é conhecimento dos problemas, soluções para os enfrentar, uma ideia e um projecto para a cidade que a CDU construiu e afirmou ao longo de sucessivos mandatos.
Muito mais que a mera disputa de poder e distribuição de cargos que a fachada eleitoral (não essa ideia de “frente” que alguns promovem) que o PS criou para disfarçar responsabilidades e cumplicidades quanto ao estado a que chegou a cidade, do que Lisboa precisa é de uma força coerente, conhecedora e com um projecto distintivo – a CDU.




