Venezuela exige aos EUA que cumpram Carta da ONU

O governo venezuelano denunciou, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a intensificação da ameaça de agressão dos EUA à República Bolivariana da Venezuela. «A mobilização militar em curso, a escalada das acções hostis e provocadoras e a retórica cada vez mais incendiária» dos EUA aí o estão a confirmar, alertou o embaixador venezuelano na ONU.

Aumenta a tensão provocada pela instalação do forte dispositivo militar norte-americano no mar das Caraíbas

O representante permanente da Venezuela junto das ONU, Samuel Moncada, exigiu perante o Conselho de Segurança o cumprimento da Carta das Nações Unidas por parte dos EUA. Durante a sua intervenção na reunião de urgência daquele órgão, solicitada pela República Bolivariana, o diplomata venezuelano perguntou que direito têm os EUA de militarizar as águas do mar das Caraíbas e de abordar embarcações de pescadores.

Denunciou que o governo norte-americano julga que as Caraíbas lhe pertencem e denunciou que Washington utiliza a velha Doutrina Monroe para, através da força, fazer cumprir as suas ordens. Questionou quantos mortos mais serão necessários e quanto tempo mais terá de passar para que «o mundo entenda que os EUA estão a mentir uma vez mais». «Cremos que é o momento do Conselho de Segurança cumprir o mandato que lhe foi confiado pelas Nações Unidas», insistiu.

Samuel Moncada afirmou que é o momento de evitar uma guerra contra a Venezuela e propôs acções concretas face à ameaça à paz e à segurança colocada pela actual escalada militar norte-americana. Assim, instou à adopção de medidas «para evitar que a situação no terreno se agrave ainda mais», incluindo a aprovação de uma resolução pelo Conselho de Segurança da ONU em que todos os seus membros se comprometam a respeitar a soberania, a independência e a integridade territorial da República Bolivariana da Venezuela. «Só estamos a pedir o cumprimento da Carta da ONU», vincou.

Referiu que, durante anos, os EUA promoveram uma campanha de propaganda e desinformação contra a Venezuela e que na actualidade leva a cabo um crescente envio de forças militares para escassas milhas das costas venezuelanas. Indicou que a mobilização militar consiste em mais de 10 mil militares, de aviões de combate, de contratorpedeiros e cruzadores, de tropas utilizadas em missões especiais e missões encobertas, além de um submarino nuclear.

Alertou que a retórica belicista do governo norte-americano confirma de maneira objectiva que «estamos face a uma situação em relação à qual é racional pensar que a muito curto prazo se vai lançar um ataque armado contra a Venezuela».

O embaixador venezuelano considerou ainda que o Conselho de Segurança das Nações Unidas dispõe dos meios necessários para evitar que se agrave ainda mais a situação e evitar que seja cometido um crime contra a República Bolivarina da Venezuela e o povo venezuelano.

 



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