EUA e Israel agridem militarmente o Irão e agravam situação na região e no mundo
Os EUA e Israel prosseguem a agressão militar contra o Irão, tendo já assassinado dirigentes iranianos e centenas de pessoas, entre as quais cerca de 150 crianças. O Irão defende-se visando Israel e as bases militares e infra-estruturas norte-americanas instaladas nos países da região.
Centena e meia de crianças foram assassinadas pelos EUA e Israel no bombardeamento a uma escola
Os EUA e Israel desencadearam no sábado, 28 de Fevereiro, uma agressão militar contra o Irão, alastrando a guerra e a instabilidade no Médio Oriente. Nos bombardeamentos aéreos norte-americanos e israelitas foram assassinados o líder supremo do Irão, o aiatola Ali Khameneí, e outros altos responsáveis iranianos. No ataque a uma escola foram assassinadas cerca de uma centena e meia de meninas.
O Irão ripostou bombardeando Israel e as bases militares e infraestruturas norte-americanas espalhadas pela região, nomeadamente na Arábia Saudita, Bahrein, Emiratos Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait e Qatar. Bases militares do Reino Unido em Chipre foram igualmente alvejadas.
A resistência libanesa ripostou às constantes violações do direito internacional por parte de Israel, tendo as forças israelitas incrementado os bombardeamentos sobre o Líbano, incluindo Beirute, a capital, e zonas no sul do país.
O Irão informou que tenciona encerrar a navegação marítima do Estreito de Ormuz, uma importante via para o comércio mundial, em particular de petróleo e gás natural.
Vergonhosa postura do Governo PSD/CDS
Perante o desencadear da agressão militar contra o Irão por parte dos EUA e de Israel, o Governo português voltou a assumir uma vergonhosa postura servil, envolvendo Portugal numa agressão militar, que constitui uma flagrante violação do direito internacional, ao permitir a utilização da Base das Lajes, nos Açores, para a agressão a outros povos. E, também, ao não condenar, e mesmo branquear, a acção e os propósitos dos EUA e de Israel, que afrontam os princípios da Constituição da República Portuguesa e do direito internacional e são contrários aos interesses do povo português, dos povos do Médio Oriente e do mundo.
Também o Reino Unido, que numa primeira fase afirmou não permitir a utilização das bases militares no seu território para esta agressão, acabou por apoiá-la. Já a Alemanha e a França secundaram desde o início o ataque dos EUA e de Israel. A NATO anunciou o reposicionamento das suas forças na região do Médio Oriente e a UE responsabiliza cinicamente o Irão pela escalada militar.
Posição diferente teve Espanha, que não só condenou a agressão contra o Irão como não autorizou a utilização das bases militares instaladas no seu território. No seguimento desta decisão, 15 aviões dos EUA saíram das bases da Rota e de Morón.
A China condena e considera inaceitável que EUA e Israel assassinem o líder de um Estado soberano e incitem a uma “mudança regime”, e reclama o cessar imediato das operações militares e o retorno às negociações. A Rússia afirma também esta posição e está disposta a reforçar a coordenação e a comunicação com a China para, através da ONU ou da Organização de Cooperação de Xangai, envidar esforços para parar a guerra.
Por iniciativa dos dois países, o Conselho de Segurança da ONU reuniu-se na véspera em sessão de emergência.
CPPC e MPPM denunciam e condenam
O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) condenou os ataques dos EUA e de Israel, e, entre outros aspectos, alerta para os riscos de desestabilização de toda a região. O Movimento pelos Direitos do Povo Palestiniano e pela Paz no Médio Oriente (MPPM), salienta entre outras questões que «uma vez mais, tal como na guerra do Iraque de 2003, o Governo envolve Portugal numa guerra alheia ao permitir a utilização da Base das Lajes pelos EUA».
Lusa
PCP: agressão constitui uma flagrante violação do direito internacional
Num comunicado emitido no dia 28, o PCP condenou veementemente a agressão militar dos EUA e de Israel contra o Irão, que constitui uma flagrante violação dos princípios da Carta das Nações Unidas, do direito internacional, da soberania e dos direitos do povo iraniano. Os EUA e Israel, com o apoio e a cumplicidade dos seus aliados da NATO, são responsáveis por «décadas de violações do direito internacional, de desestabilização, de terrorismo de Estado e de guerra no Médio Oriente, com o seu rol de morte, sofrimento e destruição», recorda. São exemplos a ocupação e colonização da Palestina e a opressão do povo palestiniano; a agressão ao Líbano e à Síria e a ocupação de territórios destes países por Israel; a guerra no Afeganistão; a agressão e ocupação do Iraque; ou a agressão à Líbia e ao Iémen.
Sublinhando a gravidade desta nova agressão militar, o PCP responsabiliza o imperialismo norte-americano e os seus aliados pelo sério agravamento da situação no Médio Oriente e pelas suas consequências. Uma agressão que, garante, é parte do plano mais vasto do imperialismo norte-americano de tentar impor, pela via da força, o seu domínio hegemónico sobre o Médio Oriente – região com vastos recursos energéticos –, assim como no plano mundial, como evidencia a sua agressão à Venezuela e o incremento do bloqueio que impõe contra Cuba.
Os EUA, tal como mentiram na alegação das inexistentes armas de destruição massiva para agredir militarmente o Iraque, procuram de novo brandir falsos pretextos para branquear a sua agressão ao Irão, salienta o PCP, que lembra ser Israel o único país detentor de armas nucleares no Médio Oriente – que se recusa a ratificar o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e a aceitar as inspecções da Agência Internacional de Energia Atómica.
Denunciada é, também, a «cumplicidade do Governo PSD/CDS com esta reiterada afronta ao direito internacional por parte dos EUA e Israel, ao permitir a utilização do território nacional pelas forças militares norte-americanas – nomeadamente a Base das Lajes, nos Açores – no âmbito desta agressão ao Irão, com o consequente envolvimento de Portugal».
O PCP considera que, no respeito dos princípios da Constituição da República Portuguesa, o Governo está colocado perante a exigência de condenar a agressão militar dos EUA e Israel ao Irão – e de não autorizar a utilização do território nacional para a sua realização –, assim como da criminosa política belicista que estes levam a cabo no Médio Oriente, em que se insere o genocídio do povo palestiniano, exigindo o seu fim imediato. E apela aos democratas e patriotas, aos defensores da paz, para que «expressem o seu protesto e indignação e prossigam e ampliem a luta pela Paz e a solidariedade com o povo palestiniano, com o povo iraniano e os outros povos vítimas da agressão do imperialismo no Médio Oriente e por todo o mundo».




