Greve e concentração para exigir negociação séria nas IPSS

Os trabalhadores das diferentes profissões que asseguram o funcionamento das instituições particulares de solidariedade social não aceitam as «migalhas» acordadas com a UGT e estão dispostos a manter a luta.

A CNIS vai ter de negociar as reivindicações justas dos trabalhadores


Durante a greve de 26 de Março, com concentração junto da sede da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), uma delegação da comissão negociadora sindical (CNS) liderada pelo CESP (FEPCES) foi recebida por responsáveis da associação patronal, a quem entregou uma resolução. Perante a exigência de prosseguir as negociações, a CNIS reiterou que não tinha nenhuma nova proposta, mantendo como sua posição aquilo que acordou com a FNE (UGT).

«Isto é imposição, não é negociação», protestou Ana Paula Quintela. Em declarações ao Avante!, anteontem, a dirigente do CESP/CGTP-IN desmentiu afirmações do presidente da CNIS, à agência Lusa, no dia da greve. O acordo com a FNE «foi assinado a 16 de Março e está em depósito, para publicação», afirmou a dirigente, adiantando que a CNS está a avaliar «o que fazer agora». «Vamos continuar a luta, isso é certo, os trabalhadores estão ganhos para isso», sublinhou.

No dia 26, com greve a nível nacional, centenas de trabalhadores concentraram-se em frente da sede da associação patronal, no Porto, e manifestaram-se nas imediações. Na noite anterior, activistas mantiveram ali uma vigília.

Presente na concentração, o Secretário-Geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira, acusou a CNIS de ter feito «uma jogada», ao chegar a acordo com sindicatos menos representativos, por «não querer responder àquilo que são as reivindicações justas dos trabalhadores».

A CNS – da qual fazem parte federações e sindicatos do comércio e serviços (CESP), dos professores e educadores (FENPROF), dos enfermeiros (SEP), profissionais de farmácia e paramédicos (SIFAP), cantinas e refeitórios (FESAHT), fisioterapeutas (SFP), serviços (STSSSS) e técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica (STSS) – incluiu, na sua proposta reivindicativa: 1050 euros como valor do salário mais baixo no sector; valorização das carreiras e profissões, para recuperar o leque salarial de 2009; acabar com a discriminação na carreira dos educadores de infância em creche, em relação aos da educação pré-escolar; semana de 35 horas para todos, sem perda de retribuição; horários regulados, que permitam conciliar a vida familiar com a vida profissional.

Junto da CNIS, mantém-se a exigência de «negociar seriamente» com os sindicatos que têm mais trabalhadores associados, «em vez de se limitar a fazer acordos para aumentos de migalhas com os sindicatos da UGT».

 



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