MUSP intensifica luta em defesa do SNS

O Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) promoveu, entre 6 e 11 de Abril, uma semana nacional de luta em defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS), com iniciativas em vários pontos do País.

Agravamento das desigualdades no acesso à saúde

Entre os principais problemas denunciados está a falta de médicos de família, que afecta actualmente cerca de 1,6 milhões de utentes, mais de um milhão dos quais na região de Lisboa e Vale do Tejo. Em algumas unidades, sobretudo nas Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP), a percentagem de utentes sem médico de família ultrapassa os 90%, evidenciando profundas assimetrias no acesso aos cuidados primários.

O MUSP critica ainda as alterações organizativas no SNS, como a criação das Unidades Locais de Saúde (ULS), considerando que não resolveram os problemas de articulação entre cuidados primários e hospitalares. Aponta também a existência de uma gestão «fragmentada» e a persistência de dificuldades no funcionamento dos serviços.

A escassez de profissionais de saúde é outro dos factores apontados como estruturais para a crise no SNS. Estima-se que sejam necessários cerca de três mil médicos e 14 mil enfermeiros para assegurar uma resposta adequada. A falta de condições de trabalho e de valorização das carreiras tem levado à saída de profissionais para o sector privado ou para o estrangeiro, agravando a sobrecarga nos serviços públicos.

Nos cuidados hospitalares, os utentes denunciam tempos de espera elevados, que em algumas especialidades ultrapassam os 300 dias, bem como situações críticas nas urgências, com esperas que podem exceder as nove horas. Particularmente grave é a situação nas urgências de obstetrícia e ginecologia, com encerramentos frequentes e o aumento significativo de partos realizados fora do ambiente hospitalar.

O movimento alerta ainda para a degradação das infra-estruturas e para a redução do investimento público, referindo que entre 2025 e 2026 o orçamento do SNS diminuiu em cerca de 1917 milhões de euros. Em paralelo, denuncia o crescimento da oferta privada e o aumento da procura desses serviços, que terá mais do que duplicado nos últimos anos, empurrando quem pode para fora do SNS.

Lusa

Degradação dos serviços públicos
Num encontro que reuniu comissões da Península de Setúbal, alertou-se para o facto de 252 mil utentes não terem médico de família, que a mortalidade infantil está acima da média nacional e para dificuldades acrescidas no acesso a cuidados de saúde. Criticam ainda o encerramento de urgências, como no Hospital do Barreiro, e defendem a construção do Hospital do Seixal, a reactivação do Hospital do Montijo e o reforço dos cuidados de saúde primários.

No encontro realizado no Pinhal Novo foi aprovado um manifesto no qual se denuncia a «degradação acentuada» dos serviços públicos e se reafirma a necessidade de um SNS público, universal e de qualidade. O documento sublinha que «sem atender às reivindicações dos profissionais, não é possível inverter o caminho de destruição do SNS».

Luta continua
No seguimento da semana de luta, o movimento mantém a mobilização e tem já marcada uma nova iniciativa para o dia 18 de Abril, às 18h00, com uma tribuna pública em Braga, na Avenida Central, junto à Arcada, em defesa do Hospital Universitário de Braga e contra as parcerias público-privadas.

 



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