Encontro da JCP dá voz à luta dos jovens trabalhadores
Com o Encontro Nacional de Jovens Trabalhadores, no dia 11, em Lisboa, a JCP vincou o compromisso de avançar na organização deste sector e intensificar a luta contra os baixos salários, os horários desregulados e a precariedade.
Encontro «foi construído no fervilhar da luta reivindicativa»
Cerca de cem jovens comunistas, de várias regiões e áreas de actividade, e sob o lema Em unidade pelos salários e contra a precariedade! Lutar e avançar!, provaram que é muito o que os une, pois todos são trabalhadores confrontados com a exploração. Ao longo do dia, muitos expuseram a sua situação.
Sobre os rendimentos de miséria, por exemplo, Maria João Falcão denunciou como o patronato e os partidos da política de direita afirmam que «a economia não aguenta» aumentar salários. Ao mesmo tempo, «a Jerónimo Martins lucrou 646 milhões de euros em 2025, e o salário de entrada é de 880».
Os horários foram outro dos problemas mais criticados. Seja as horas extra que não são pagas, seja a desregulação. Na hotelaria e restauração, por exemplo, «ter um horário regulado é uma miragem», disse Vasco Durães, com muitos estabelecimentos a contar o descanso entre turnos como folga.
Guilherme Garcia, por seu lado, denunciou a generalização dos contratos precários. «Não queremos ser despedidos sem justa causa. Queremos um contrato efectivo, que nos garanta a possibilidade de poder planear as nossas vidas, de não ter que temer o dia de amanhã».
No combate contra o “pacote dos patrões”
Estes e outros problemas, sublinhou, no encerramento, João Frazão, da Comissão Política do PCP, serão ainda mais agravados se o pacote laboral passar.
Mais facilidade em despedir e substituir trabalhadores despedidos por outros, com menos salário e condições. Imposição do banco de horas individual, com horas extra sem pagamento. Mais precariedade, admitindo-se como razão legal para um contrato a termo o facto de o trabalhador não ter tido anteriormente um contrato efectivo. Facilitação da denúncia da contratação colectiva. Mais desregulação de horários.
«E, para que tudo isto se consolide, querem limitar o direito à greve, alargando o recurso aos serviços mínimos», destacou.
Perante esta realidade, garantiu, noutro momento, Maria Rôlo, que a resposta «tem sido bem clara»: lutar. «O pacote laboral foi rejeitado variadíssimas vezes em variadíssimas jornadas de luta».
Dinamizar a luta e reforçar a organização
Guilherme Almeida, do Secretariado da Direcção Nacional (DN) da JCP, considerou que o Encontro exprimiu a força da juventude trabalhadora, que luta «pelos seus direitos» e contra «as injustiças e a exploração de que é alvo.
O dirigente assinalou que o Encontro, enriquecido como foi com as experiências de luta de cada jovem, «não foi feito à margem da realidade». Pelo contrário, «foi construído no fervilhar da luta reivindicativa pelo aumento dos salários, pelas 35 horas para todos, pelo fim da precariedade». Esse processo assentou na discussão aberta a todos os militantes, «forma única de responder às exigências» que se colocam. Em cada colectivo, plenário, conversa ou faixa colocada à porta da empresa, o Encontro «ganhou forma» – e a sua resolução ganhou ainda mais substância.
Deste documento, saiu, lembrou, o compromisso de apostar no reforço da Organização da Juventude Trabalhadora. O desenvolvimento da luta depende, por isso, de uma JCP «mais capaz de intervir e de mais quadros responsabilizados, sindicalizados e integrados no movimento sindical unitário», desde logo actuando na Interjovem.
Também para esse propósito foi eleita a Coordenadora Nacional da Juventude Trabalhadora, novo organismo que «terá o papel de dirigir e acompanhar a Organização, garantindo orientações centrais», afirma-se na resolução, que dá também importância aos colectivos nos locais de trabalho.
Números não mentem
A resolução política do Encontro faz o levantamento de alguns dos dados mais relevantes sobre «a brutal realidade» dos 1,3 milhões de jovens trabalhadores no País:
• Precariedade: 511 mil com contratos precários; 342 mil com contratos a termo; 52 mil com falsos recibos verdes; cerca de 50% dos vínculos precários;
• Baixos salários: 24% recebe o SMN (até 30 anos); 899€ de salário líquido médio mensal (menores de 25 anos); falsos recibos verdes recebem menos 24% que os colegas;
• Horários desregulados: 616 mil trabalham por turnos, à noite, sábado ou domingo; mais de 900 mil têm desregulação de horários (adaptabiliade, banco de horas, isenção de horário, horários concentrados); 519 mil trabalham ao sábado, 646 mil ao domingo, 337 mil ao serão, 262,5 mil por turnos e 146 mil à noite; 93 mil estão a tempo parcial;
• Emprego e desemprego: 51 mil têm um segundo emprego; 295 mil estão em teletrabalho; 154 mil estão desempregados; 60-70% não tem prestações sociais no desemprego (que são, em média, 615€).
JCP traça prioridades
Reunida no dia 12, a DN da JCP avaliou a situação política e definiu novas orientações. Nas suas conclusões, o organismo sublinha a importância da preparação e realização dos encontros regionais da organização em Maio.
A JCP assume como prioridade a 50.ª Festa do Avante, onde marcará presença sob os lemas E se a vida fosse como a Festa do Avante!? e Muitas já passaram e a melhor é sempre a próxima!.
A resolução da DN dá conta da forte participação da juventude nas acções de luta de Março, nomeadamente nas manifestações nacionais do ensino superior e de jovens trabalhadores, na semana de luta do secundário e na luta do ensino profissional.
Em destaque estiveram, ainda, a guerra e a situação internacional, o pacote laboral, o aumento do custo de vida e o ataque geral do Governo ao ensino público.




