Artistas e cultura sofrem às mãos da CM em Aveiro
A Comissão Concelhia de Aveiro do PCP condenou, no dia 6, as declarações proferidas pelo presidente da Câmara Municipal (CM) no 1.º Encontro com os Agentes Culturais do Concelho, associando os artistas de rua à «marginalidade e criminalidade».
As declarações proferidas inserem-se num trajecto político de desvalorização da cultura
No dia 3, no encontro que tinha como objectivo estreitar as relações entre os artistas aveirenses e a autarquia, Luís Souto Miranda, presidente do executivo, eleito pelo PSD, associou, «de forma indiscriminada e ofensiva» os artistas de rua a fenómenos de marginalidade, criminalidade e tráfico de droga.
O PCP recorda, em comunicado, que as declarações, «desprovidas de qualquer fundamento factual», não representam um episódio isolado. Antes pelo contrário, as acusações proferidas inserem-se num «trajecto político errado dos executivos municipais PSD/CDS, marcado por uma visão redutora e elitista do fenómeno cultural».
Ao confundir a expressão artística no espaço público com actos ilícitos, o executivo demonstra um «profundo distanciamento da realidade destes trabalhadores». Este desprezo pela cultura, salienta o PCP, tem sido evidente em opções políticas de fundo, como a extinção do pelouro da cultura e do respectivo cargo de vereador na CM de Aveiro. «Uma decisão que deixou o sector sem uma interlocução política directa e devidamente capacitada», relata a comissão concelhia.
A ausência de uma visão estratégica e transparente para a cultura é igualmente visível na gestão dos equipamentos municipais. Exemplo disso, aponta o PCP, é a inexistência de concursos públicos de recrutamento para a direcção artística e programação do Teatro Aveirense. «Ao optar por modelos de nomeação que evitam o escrutínio e a participação democrática, a autarquia remete a cultura para um plano meramente discricionário», acusa o organismo comunista.
O PCP defende que a arte de rua é um pilar da democratização do acesso à cultura e um direito à fruição do espaço público. «Quando um responsável político utiliza boatos e estereótipos para criminalizar quem faz da rua o seu palco, está a atacar a própria dignidade de quem trabalha e a identidade de Aveiro. Uma cidade que se pretende cosmopolita não pode aceitar um discurso que desumaniza os agentes culturais para justificar a falta de investimento ou o pendor regressivo da sua gestão», lê-se no comunicado.
DGArtes ignora música em Espinho
No mesmo distrito, o PCP denunciou, no dia 9, a decisão da DGArtes de excluir a Academia de Música de Espinho e o seu Festival de Música do apoio à programação dos equipamentos da Rede Teatros e Cineteatros Portugueses para o quadriénio de 2026-2029. Apesar de afirmar manter a estrutura e identidade programática na sua candidatura, a Academia ficou abaixo (com uma nota de 58,50) dos 60 por cento da pontuação exigida. A Comissão Concelhia de Espinho do PCP salienta, em nota de imprensa, que esta exclusão é um «atentado à cultura da cidade, às suas instituições, economia e população».
«O PCP fará o que estiver ao seu alcance para defender, na rua, na Assembleia Municipal e na Assembleia da República, a reversão deste corte atentatório da vida cultural de Espinho, tendo já submetido uma pergunta ao Governo sobre esta questão», lê-se no comunicado.




