Não pode ser o povo a pagar as guerras do imperialismo
Marchas, buzinões, distribuições: é assim, junto das pessoas, que o PCP afirma em todo o País “Não à guerra, ao aumento dos preços, ao pacote laboral! Mais salário, reforma, saúde e habitação!”.
Não podem ser os trabalhadores, as populações e a juventude a pagar as consequências de uma guerra pela qual não são responsáveis. Esta afirmação proferida por Paulo Raimundo numa acção de contacto com trabalhadores e utentes da Segurança Social, no dia 9, em Lisboa, resume em grande medida o objectivo da acção. E que tem um contraponto: quem faz e apoia a guerra, ou quem lucra com ela (como antes com a pandemia, com a troika, com os mil e um pretextos) que suporte os seus efeitos.
O Secretário-Geral do PCP denunciou as tentativas de limpeza de responsabilidades do Governo, do Chega e da IL, que defendem a agressão dos EUA e de Israel contra o Irão, pelo que são também responsáveis por cada cêntimo de aumento verificado nos combustíveis e noutros bens essenciais, como alimentos. Acusando o Governo de estar «muito activo no apoio à guerra», o que se expressou na cedência da Base das Lajes para apoiar a agressão, ironizou ainda com os que em abstrato defendem medidas para responder aos impactos do conflito, ao mesmo tempo que têm “palavras proibidas”, como as margens de lucro. Nestas, lembrou, PSD, CDS, Chega e IL não tocam.
Contra o aumento do custo de vida
Na manhã de sábado, 11, o PCP juntou centenas numa marcha pelas ruas de Almada. No final, na Praça do MFA, João Frazão, da Comissão Política, explicou o porquê da iniciativa. «Protestamos contra o aumento do custo de vida que esta guerra criminosa veio aprofundar». Perante o «aumento brutal» dos combustíveis, alimentação ou habitação, acusou o Governo de responder com «medidas insuficientes», mostrando-se «lesto» a apoiar o grande capital, mas pouco fazendo para acudir as famílias. «Não é aceitável que os principais grupos económicos exibam lucros obscenos de milhares de milhões de euros enquanto o povo passa dificuldades», assinalou.
João Frazão recordou ainda os ataques a serviços públicos na Península, das «novas machadas no SNS» com o encerramento das urgências de obstetrícia no Barreiro à falta de condições nos transportes públicos.
Luís Palma, vereador da CDU em Almada, também abordou o aumento do custo de vida, considerando que a situação não se verificaria se sectores estratégicos como o gás, electricidade ou telecomunicações fossem públicos. Daniel Silva, da JCP, lembrou os «vários rostos e histórias» dos impactos da política do Governo na juventude da região, dos estudantes obrigados a trabalhar para «equilibrar as contas de casa» aos jovens que têm de «esticar» os já curtos salários – situação que se agravará, garantiu, se o Governo avançar com o pacote laboral.
Cinco buzinões no Porto
No distrito do Porto, foram cinco os buzinões no dia 10, de protesto contra a guerra, o militarismo, o aumento dos preços e o pacote laboral: na cidade do Porto (Rotunda da Boavista), em Matosinhos (rotunda da Avenida da República), em Gaia (Santo Ovídio), em Gondomar/Maia (Rotunda da Areosa) e em Penafiel/Paredes (saída da A4). Com cartazes, faixas e folhetos, os comunistas apelavam ao protesto dos automobilistas contra a disparidade existente entre os lucros dos grupos económicos, que querem aproveitar-se da guerra e da instabilidade internacional para continuar a especular e acumular fortuna, e as dificuldades sentidas pela maioria do povo.
A subida dos preços dos combustíveis, do gás, dos alimentos, das prestações bancárias aí estão a confirmar que são os trabalhadores e o povo que pagam a factura da guerra para a qual nos arrastam, pelo que é preciso «dizer não à guerra e a novos pretextos para a subida dos preços», numa situação que era – já antes destes recentes aumentos – «insuportável na habitação, na luz, no gás, nas comunicações e, de forma particular, nos alimentos».
Travar a especulação
Depois de, no dia 7, o PCP ter promovido um buzinão em Coimbra, com contacto com os automobilistas parados nos semáforos numa das artérias mais movimentadas da cidade, no dia 8 foi a vez de Braga realizar uma iniciativa semelhante, junto à rotunda das Piscinas da Rodovia. Na nota emitida pela Direcção da Organização Regional de Braga do PCP, repudia-se que «barris de petróleo adquiridos há mais de três meses sejam vendidos nos postos de abastecimento ao preço a que são anunciados para amanhã». Assim se explica, garante o PCP, o aumento dos lucros das grandes empresas, nomeadamente petrolíferas, num período em que encher o depósito custa hoje mais 20 euros por abastecimento, em contraponto com a subida de 20% dos lucros da Galp.
No dia seguinte, um novo buzinão fez-se ouvir na Alameda Dr. Alfredo Pimenta, em Guimarães. Os comunistas recusam que a botija de gás custe em Portugal o dobro do que custa em Espanha e denuncia que enquanto para a maioria aumenta o custo de vida, os grandes grupos económicos «alcançam lucros históricos». A guerra, garante o PCP, «serve de pretexto e a política de direita agrava o aumento brutal do custo de vida», com o PCP a defender a regulação e fixação de preços dos bens alimentares, dos combustíveis, do gás de botija e das comissões bancárias.
No dia 10, em Viana do Castelo, um buzinão reafirmou as razões do protesto do PCP e a exigência de que não podem ser os trabalhadores e o povo a pagar as guerras do imperialismo e a especulação dos que com ela ganham. A grande adesão dos automobilistas levou a que a acção se estendesse por mais de uma hora e meia, tendo sido várias as expressões de apoio aos objectivos da iniciativa.
No distrito de Leiria realizaram-se buzinões em Alcobaça, Marinha Grande e Leiria.
Combater a exploração
Também no Funchal, o PCP promoveu no dia 10 uma acção de contacto com trabalhadores e a população junto ao Anadia Shopping, para denunciar o aumento brutal dos lucros das empresas do sector da distribuição, assente na especulação de preços, na precariedade laboral e nos baixos salários dos trabalhadores.
Durante a iniciativa, Ricardo Lume, membro do Comité Central, lembrou que só em 2025 os lucros do grupo Jerónimo Martins (dono do Pingo Doce) aumentaram 7,9%, atingindo 646 milhões de euros, alcançados precisamente à custa da especulação dos preços (que continuam a atingir novos recordes) e da intensificação da exploração.




