Pacto? Consenso? Mas, para quê?

Manuel Rodrigues

O ex-ministro de um governo PS, Adalberto Campos Fernandes, foi designado pelo Presidente da República coordenador de um pacto estratégico para a saúde.

Ora, mal a escolha era consumada e já Campos Fernandes tomava posição sobre a questão sensível da Saúde em Portugal, exposta a graves ataques, ao longo de muitos anos, por parte dos governos PS, PSD e CDS, que o actual Governo PSD/CDS tudo faz para aprofundar (com o apoio do Chega e da IL e a cumplicidade do PS) visando o seu desmantelamento e entrega de importantes áreas aos grupos económicos, que fazem da doença negócio privado.

Para que ficasse claro que mantinha as opções por si assumidas quando foi ministro da Saúde, afirmou que esta «precisa muito mais de consensos do que de ruturas», esclarecendo o que queria dizer: que é possível fazer mais, ter melhores resultados com menos meios.

E, para que não houvesse dúvidas quanto às suas intenções, acrescentou: «Eu acredito que o actual governo tem essa consciência, todos os governos passados sabem que nós temos que lutar incessantemente contra a ineficiência e o desperdício, para quê? Para poder dar acesso a melhores medicamentos, a melhores unidades de saúde».

Como sabemos e o PCP tem denunciado – como aconteceu ainda na semana passada, nas setenta e cinco acções que promoveu em defesa do SNS – os problemas do SNS resultam da falta de profissionais, da falta de meios e de investimento e não de excessos, desperdícios ou ineficiência.

E também não é de consensos que a Saúde precisa – para prosseguir a política de direita que está na origem dos seus problemas – mas sim de ruptura com essa política e da opção clara por uma política alternativa que invista nos serviços públicos, dote a Saúde dos meios necessários, valorize os seus profissionais (nos salários e nas carreiras) e, acima de tudo, cumpra a Constituição.

Pacto? Consenso? Para continuar a destruir o SNS? Não, obrigado. O que é preciso é mudar de rumo, é salvar, defender e reforçar o SNS.

 



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