Para onde nos querem empurrar?

Pedro Guerreiro

A NATO assume 55% dos gastos militares mundiais

A NATO e a União Europeia continuam a impulsionar a insana política de aumento dos gastos militares, de escalada armamentista, do militarismo e da guerra, com o que representa de morte, sofrimento e destruição e de ataque às condições de vida, aos direitos, à paz e à segurança dos povos. Segundo o Instituto Internacional de Investigação da Paz de Estocolmo (SIPRI), as despesas militares no plano mundial atingiram 2,887 biliões de dólares em 2025. Saliente-se que os gastos militares dos 32 países que integram a NATO somaram 1,581 biliões de dólares, isto é, 55% dos gastos militares mundiais, ou seja, mais do que a soma das despesas militares de todos os restantes 161 países que integram a ONU.

O continente europeu contribuiu significativamente para impulsionar o aumento das despesas militares em termos mundiais, sendo responsável pelo maior aumento em termos regionais, com os gastos militares a aumentarem 14% num ano, atingindo 864 mil milhões de dólares. Os 29 países europeus que integram a NATO foram responsáveis por 559 mil milhões de dólares, ou seja 65% daquele total, o que representou um aumento de cerca de 23% relativamente a 2024. Dois exemplos: a Alemanha foi o país que mais gastou, com as suas despesas militares a crescerem 24% face ao ano anterior, atingindo 114 mil milhões de dólares, cerca de 2,3% do PIB; a Espanha aumentou as suas despesas militares em 50%, totalizando 40,2 mil milhões de dólares, ultrapassando também os 2,0% do PIB.

Após protagonizarem décadas de agressões militares na Europa, na Ásia, no Médio Oriente ou em África, este vertiginoso aumento das despesas militares deve-se à histérica espiral belicista promovida pela NATO e a União Europeia, em que se insere a instigação e a insistência no prolongamento da guerra que se trava na Ucrânia, na continuação de décadas de sistemático alargamento da NATO, visando o cerco e a confrontação com a Rússia. Recorde-se que os EUA impuseram aos seus “aliados” da NATO o aumento das suas despesas militares até 5% do PIB – meta a ser atingida até 1935 –, no quadro de uma enunciada divisão de responsabilidades e partilha de encargos no âmbito deste bloco político-militar belicista, que se tem consubstanciado na exigência de que estes financiem (ainda mais) e sejam instrumentos (ainda mais alinhados e subservientes) ao serviço dos interesses do imperialismo norte-americano, o que tem evidenciado contradições.

A constatação da aceleração e dimensão do aumento das despesas militares por parte da NATO, mas também da UE, soma-se a um imenso rol de intenções, decisões, medidas e acções de carácter belicista protagonizadas por estas, desde logo a anunciada ambição da transformação da UE num bloco político-militar, pilar europeu da NATO – processo em que alguns jogam também a cartada nuclear –, sustentada a partir da falaciosa “ameaça russa”. No entanto, a realidade está a demonstrar que os intentos do imperialismo enfrentam forte e corajosa resistência e que a questão decisiva é a luta dos povos em prol da paz, da soberania, dos direitos, e a sua solidariedade com os povos que enfrentam a brutal ingerência e agressão do imperialismo.

 



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