Em greve e manifestação no seu dia enfermeiros exigem resposta urgente
O Dia Internacional do Enfermeiro foi assinalado anteontem, com uma expressiva adesão à greve e uma manifestação em Lisboa, com centenas de profissionais de todo o País, dos sectores público, privado e social.
A luta dos enfermeiros vai prosseguir a 3 de Junho, na greve geral
A jornada de luta foi convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, que veio reafirmar, poucas horas depois, a exigência de respostas do Ministério da Saúde, concretizado que espera «a imediata marcação de uma reunião sobre contagem de pontos e pagamento dos retroactivos».
Estas matérias encabeçam a lista de reivindicações, que ficou inscrita na moção, aprovada e aclamada no final da concentração, cerca das 13 horas, junto do ministério. Para aqui, os profissionais de enfermagem deslocaram-se, em manifestação, desde o Campo Pequeno.
Ao exigir reunir-se com a ministra, o SEP/CGTP-IN indicou o que pretende obter.
Primeiro, deve ser dado a conhecer ao sindicato «o levantamento de todas as situações problemáticas que decorrem da não contabilização de pontos (anos de trabalho), do não pagamento dos referidos retroactivos e da não aplicação de outra legislação».
Depois, há que «discutir propostas de solução», como se afirma na nota de imprensa que o sindicato emitiu terça-feira, ao final da tarde.
«Vamos continuar a lutar», garantiu o presidente do SEP, lembrando que é preciso contratar mais profissionais e retirar do Acordo Colectivo de Trabalho (ACT), proposto pelo Governo, matérias gravosas, como o banco de horas. José Carlos Martins encerrou as intervenções, recordando os problemas que têm mobilizado os enfermeiros. Antes, dirigentes sindicais que trabalham nos sectores público, privado e social, expuseram a situação nos hospitais, centros de saúde e outras instituições.
Sebastião Santana, coordenador da Frente Comum, destacou que «há dinheiro e está nos privados», como se vê pelos lucros que alcançam. Criticou o continuado desinvestimento nos serviços públicos e, em especial no Serviço Nacional de Saúde. Sublinhou a reivindicação de aumento intercalar dos salários na Administração Pública, a que o Governo responde com silêncio.
Tiago Oliveira, Secretário-Geral da CGTP-IN, recordou que os enfermeiros estão «há anos e anos a ser maltratados», mas «não é equívoco nem incompetência, é opção política» de sucessivos governos. Lucros de milhões de euros, como os do Grupo CUF, mostram «o caminho que eles querem trilhar».
A propósito do pacote laboral, que visa directamente milhares de enfermeiros com contrato individual de trabalho, desafiou o primeiro-ministro a perguntar a estes trabalhadores se a lei é rígida, como são os seus horários, como sentem a precariedade.
Para «derrotar o pacote laboral», Tiago Oliveira reforçou o apelo, feito nas demais intervenções, para «construir uma grande greve geral» a 3 de Junho.
Solidariedade do PCP
Paulo Raimundo saudou os enfermeiros em luta, à chegada junto do Ministério da Saúde, e foi efusivamente cumprimentado por muitos deles.
Em declarações à comunicação social, o Secretário-Geral do PCP declarou total solidariedade aos objectivos da luta, que se conjugam com a defesa do SNS. Lembrou que, quanto mais respeito e dignidade e melhores condições de trabalho tiverem os enfermeiros, mais profissionais permanecerão e outros mais entrarão para o SNS.




