Festa voltada para o futuro leva a palco o melhor da cultura
A apresentação do programa da 50.ª Festa do Avante! decorreu no dia 21, no CT Vitória, Lisboa. Alguns dos artistas que irão actuar no maior evento político-cultural do País participaram e intervieram na sessão.
«É um grande programa. É o programa dos 50 anos da Festa!»
Alexandre Araújo, do Secretariado do Comité Central, para quem a Festa é «uma grande festa nacional, com características populares e de uma enorme projecção internacional», assinalou alguns dos elementos caracterizadores da singularidade de um evento que vai «muito para lá das fronteiras do Partido».
«Mais do que uma efeméride ou uma comemoração virada para o passado, pretendemos que seja um momento de afirmação da Festa do Avante! e da sua projecção para diante, para o futuro. Para continuar a fazer jus ao lema que sublinhamos muitas vezes, de que “não há festa como esta”», vincou.
O dirigente comunista realçou as exposições – este ano, com centralidade para o aumento do custo de vida, a renda de bilros e os 90 anos de Ary dos Santos –, o teatro, o cinema, as feiras do livro e do disco, as artes plásticas, a ciência, as actividades para as crianças, os espaços das regiões e o desporto. Outro destaque vai para a Cidade da Juventude e o Concurso Novos Valores, que conta com 118 bandas concorrentes.
A qualidade de sempre
Madalena Santos, da Direcção da Festa, assinalou que, se todos os programas «ficam para a História», o deste ano é especial: «É um grande programa. É o programa dos 50 anos da Festa!». O evento decorre nos dias 4, 5 e 6 de Setembro.
Dando realce à dimensão dos espectáculos musicais – divulgados na última edição do Avante! –, a oradora frisou que o evento continua a acompanhar a evolução cultural do País, integrando expressões da cultura portuguesa com as «novas dinâmicas» da música.
A apresentação do programa contou com a participação de alguns dos muitos músicos que vão tocar à Festa, de membros de equipas de produção e de encenadores de peças que subirão ao palco do Avanteatro. Nestas páginas, podem-se encontrar excertos destas falas.
Expressão de diversidade artística
Sem «meter a música em sectores ou gavetas», Madalena Santos explicou os traços gerais da programação musical.
Um primeiro destaque é a música clássica, este ano – como na 25.ª Festa – com a apresentação completa da 9.ª Sinfonia de Beethoven, continuando a proporcionar este género a pessoas que, fora da Atalaia, não têm forma de a ele assistir.
A música internacional, explicou, dará incontornável evidência à Palestina e a Cuba – sem esquecer, com o jazz, a celebração dos 100 anos de Miles Davis.
Outro foco é a música urbana, o rock e as «novas expressões de música popular», com o habitual aspecto de «crítica e intervenção dançável e contemporânea», bem como o fado, «sempre presente», e a música portuguesa, pela sua amplitude «de grande qualidade».
A estes soma-se a Rave Avante!, que comemorará os 90 anos de Ary dos Santos.
Muito obrigado pelo convite e pela possibilidade que nos dão, mais uma vez, de poder estar no vosso palco. É um imenso gosto estar nesta Festa. E sempre foi! Portanto, já cá estivemos e temos muito gosto em voltar. The Black Mamba estará na Festa a completar um ciclo de dois álbuns que colocou cá fora em dois anos. E que são a síntese de experiências de tours internacionais.
Fernando Piçarra, road manager de The Black Mamba
Esta é uma ocasião especial para nós. Não só pela relação que temos com a Festa, que, no meu caso, é emocional – é uma relação quase familiar, porque a minha família era toda de militantes. É uma festa que representa muito para mim. […] Temos uma relação intensa com a Festa, e vamos marcar uma fase importante do nosso percurso, porque vamos apresentar músicas de um álbum novo.
Katari, Anarchicks
É sempre uma honra pisar o palco da Festa. Com a Luta Livre já é a terceira vez. Acho que vai ser um momento muito especial, porque são os 50 anos da Festa. […] Lembro-me de uma Festa no Alto da Ajuda onde vi os Dexys Midnight Runners. E outra onde vi o Chico Buarque. É todo um historial de espectáculos e de cultura que a mim me diz muito. Por isso, é uma honra e um prazer estar aqui.
Luís Varatojo, Luta Livre
Nós, no interior, na nossa companhia, temos tentado trabalhar todas as temáticas ligadas à intervenção social […]. Isto é mesmo muito emocional, porque é, de facto, a primeira estrutura profissional de Trás-os-Montes no Avanteatro. […] Vamos trazer A Mãe, de Brecht, a partir do romance de Maksim Gorki. […] Foram 30 anos da minha carreira a preparar-me para fazer o Brecht!
Fábio Timor, Urze Teatro
Sou o mais velho e fui, talvez por isso mesmo, mais vezes à Festa. Já não tenho em conta as vezes que fui! […] Tenho o melhor para dizer da Festa, pela sua abrangência, qualidade cultural e diversidade. Este ano, vou cantar com duas ilustres convidadas – a Maria João e a Ana Bacalhau. […] Revisito o meu repertório com a curiosidade de ver as interpretações de outros artistas.
Janita Salomé
Também não me lembro a quantas Festas fui. Comecei a ir cantar antes de ter o primeiro disco. […] Percebi que a política nunca sairia de mim. Foi com o PCP que percebi isso. […] Quis falar do que me andava a atormentar, porque há uns anos que se começava a perceber o cheiro do tempo que aí vinha. E assim foi! […] O disco Metade-Metade foi feito a duas mãos, com a Capicua.
Aldina Duarte
Trazemos à Festa Irmã Santomense, quarta parte de uma tetralogia que estamos a fazer desde 2023, a partir das Mil e Uma Noites. […] Temos a sorte de trabalhar com uma actriz de São Tomé, a Adozia Cristo. […] O espectáculo acaba por ser um pequeno fractal da Festa: é um grupo de saltimbancos, desregrados, meio alucinados, que insistem em fazer a festa mesmo face a um ditador opressivo.
Miguel Jesus, Teatro O Bando
É uma honra voltar à maior festa da música deste País! Os Poetas Convidados é um espectáculo em que divido o palco com o meu irmão, Hélder, e que nasceu de tertúlias na casa de fados dele. […] Vamos cantar poetas de agora, como João Monge, Manuela de Freitas ou Maria do Rosário Pedreira, e os do passado, como João Fezas Vital, Vasco de Lima Couto ou o grande José Carlos Ary dos Santos.
Pedro Moutinho
Estou muito contente por fazer parte desta Festa, que faz parte da minha vida há tantos anos. Tinha este sonho antigo de poder participar! Há muito tempo que tenho esta preocupação de que o meu concerto seja, também, uma mensagem de intervenção e um apelo a que sejamos cada vez mais conscientes e a que não nos acomodemos à tragédia em que este mundo se encontra.
Carolina Deslandes
Os 47 Soul são uma banda palestiniana que já tocou na Festa. O Bombino é um músico tuaregue que já saiu de países por razões de guerra, que já teve de se refugiar. Aprendeu música a fazer isso, e acho que há várias razões pelas quais tem valores que são os valores da Festa do Avante!. E o Yuri da Cunha vem pela questão social. É o “homem do povo”!
Liobhan Lignel, produtora de 47 Soul, Bombino e Yuri da Cunha




