Dia de luta contra o racismo em Portugal
No dia 10 de Junho, a Frente Anti-Racista (FAR) promove uma manifestação em Lisboa. A acção homenageia Alcindo Monteiro e as vítimas de racismo e xenofobia, criticando as políticas laborais e de imigração do Governo.
Colectivamente contra o racismo e por Abril
A iniciativa inclui, às 14h30, uma manifestação pela rua Garrett, com o objectivo de denunciar as políticas reaccionárias do Governo PSD/CDS, que a FAR considera assentes no ataque aos trabalhadores e ao povo, bem como na perseguição aos imigrantes. Às 16h30, o Largo da Rosa acolhe um Arraial Antirracista.
«Este ano assinalamos o 31.º aniversário do fatídico 10 de Junho de 1995, quando Alcindo Monteiro foi brutalmente assassinado por um grupo de nazifascistas. Alcino tornou-se um símbolo de uma luta que continua: contra o racismo em Portugal», refere a organização, sem esquecer «tantas outras vítimas que perderam a vida ou sofreram violência devido ao racismo e à xenofobia».
Desta forma, pretende-se também assinalar os 50 anos da Constituição da República Portuguesa (CRP), «um marco das conquistas alcançadas no pós-25 de Abril» que «sempre foi alvo de ódio por parte da direita e dos sectores mais reaccionários, que procuram fragmentá-la e reduzir o alcance dos direitos consagrados». A FAR acusa por isso o Governo de «retroceder nas leis relativas à imigração», desde «as alterações introduzidas à legislação de entrada e permanência e da nacionalidade» ao projecto-lei apresentado da denominada «lei do retorno».
Política regressiva
Esta postura do Executivo PSD/CDS, em aliança com a Iniciativa Liberal e o Chega, está também patente, segundo a organização, nos «ataques» aos direitos dos trabalhadores, como é disso exemplo o pacote laboral, e das mulheres, na lei da identidade de género, e na «indiferença» face ao genocídio do povo palestiniano e na cumplicidade com os EUA na guerra contra o Irão. «Estamos perante uma política regressiva em todas as dimensões», acusa a organização.
No apelo à participação na manifestação – subscrito, entre outras, pela Associação Desportiva e Recreativa «O Relâmpago», a Associação Renovar a Mouraria, o CPPC, o movimento Vida Justa, a União de Sindicatos de Lisboa – acentua-se que o «racismo e a xenofobia, expressões intrínsecas à natureza do capitalismo, funcionam como instrumentos de dominação, opressão e violência sistemática», o que é visível, por exemplo, «na narrativa que procura responsabilizar as pessoas imigrantes pelos problemas do País».
«Mas essa narrativa preconceituosa vai muito além da imigração: atinge diferentes etnias, nomeadamente a comunidade cigana, nacionalidades, orientações sexuais e religiões. É uma narrativa populista que se alimenta do medo, do descontentamento e do desalento» gerados pela política de direita», causadoras dos baixos salários, das pensões e reformas indignas, da falta de habitação, das desigualdades sociais e a degradação dos serviços públicos, em especial da saúde e da educação, desmascara a FAR.




