«Criar presente e conquistar futuro» na XII Assembleia de Aveiro

A Organização Regional de Aveiro do PCP realizou, em Espinho, no dia 23, a sua XII assembleia, colocando na ordem do dia o pulsar da vida de quem vive e trabalha no distrito. No final da reunião, na sua intervenção, Paulo Raimundo, salientou as muitas possibilidades de reforço do Partido na região.

Abrir caminhos de esperança através de discussão e intervenção colectivas

«É verdade que somos sucessivamente alvo de ataques, mas também é verdade que estamos aqui a criar presente e a conquistar futuro», salientou o Secretário-Geral ao intervir no encerramento da XII Assembleia da Organização Regional de Aveiro (AORAV), que se realizou no FACE – Fórum de Arte e Cultura de Espinho. E é igualmente verdade, salientou, que aqui se estão a «abrir caminhos de esperança para a vida melhor a que o nosso povo tem direito».

«É verdade», continuou, que «aqui há resistência, audácia e confiança, de olhos bem levantados, em prol do povo deste distrito, deste concelho e em prol de todos aqueles que vivem e trabalham no nosso País». «Hoje saímos daqui em melhores condições para continuar a cumprir o papel que temos na sociedade», pois uma assembleia de um «Partido como o nosso», não se fica por «balanços e radiografias», aponta os «caminhos e soluções para a resolução dos problemas».

Aveiro, afirmou, tem todas as potencialidades para ser um sítio melhor, mas para isso é preciso que haja uma «ruptura e um caminho de mudança que faça frente à desastrosa política que está em curso». «Política anti-Abril», como caracterizou, levada a cabo pelo governo de turno de PSD e CDS que tem, nas suas questões fundamentais, o «apoio e entusiasmo do Chega e IL», com uma «profunda cumplicidade do PS».

«Essa desgraçada política que empurra a maioria mais para baixo e puxa aquela minoria cada vez mais para cima», acusou, referindo o sector privado da saúde – o «negócio da doença» – que no distrito aveirense tem já quase o dobro das unidades do sector público.

Para além do Secretário-Geral, na assembleia estiveram Octávio Augusto e Alexandre Araújo, membros dos organismos executivos do Comité Central, e Luís Fernandes, da Comissão Central de Controlo.

Discussão ligada à vida

Na XII AORAV, a organização regional do Partido e os seus militantes demonstraram ter uma profunda ligação e conhecimento do distrito em que intervêm. Falou-se dos problemas na escola pública, das crescentes dificuldades de acesso a cuidados de saúde e de tantos outros serviços públicos, como dos CTT, dos balcões da Caixa Geral de Depósitos e das finanças, ou dos postos da GNR.

Num distrito de produção leiteira e com uma enorme frente marítima, falou-se dos agricultores e dos pescadores, e de como os aumentos nos factores de produção esmagam os primeiros e a incerteza de rendimentos precarizam a vida dos segundos. Mas falou-se também dos idosos, das crescentes dificuldades de associação e participação entre os mais jovens, da precariedade nas carreiras científicas na Universidade de Aveiro e da disparidade salarial entre mulheres e homens, entre tantas outras coisas.

 

Derrotar o pacote laboral é prioritário

A XII AORAV encerrou-se com um desfile celebratório e, em simultâneo, de agitação e esclarecimento para a greve geral de dia 3 de Junho. Segurando muitas bandeiras do Partido, os militantes percorreram a marginal e algumas das principais ruas da cidade. Ao mesmo tempo gritavam palavras de ordem como «o ataque é brutal, a greve é geral», «mais um empurrão e o pacote vai ao chão», «não podemos aceitar, empobrecer a trabalhar» ou «ninguém quis, ninguém quis, o pacote do Luís». Ao longo do desfile foram sendo entregues panfletos sobre o aumento do custo de vida aos muitos populares que desfrutavam do agradável final de tarde junto ao mar.

«Afirmamos hoje nas ruas de Espinho que a vida está difícil para a grande maioria do povo e dos trabalhadores portugueses, que trabalham todos os dias, mas cujo dinheiro não chega para fazer face às contas do final do mês», salientou Afonso Sabença (membro do CC e responsável pela Organização Regional de Aveiro) já no final do percurso, numa das ruas mais movimentadas da cidade. «Precisamos de melhores salários, valorizar quem trabalhou uma vida inteira e de fazer face ao brutal aumento do custo de vida», acrescentou.

«O pacote laboral, brutal ataque contra os trabalhadores, precisa de ser derrotado», continuou, salientando que em Espinho, tal como em todo o distrito e no País, podem contar com o PCP para esta e todas as lutas que se vão travar.

 

Na AORAV demonstrou-se ser possível reforçar o Partido

Em vários momentos da assembleia estiveram presentes elementos ligados ao reforço do Partido. Aliás, como foi afirmado na intervenção de abertura, o próprio processo preparatório da assembleia, para lá de se debruçar sobre a proposta de Resolução Política, teve em conta os muitos elementos ligados à resolução “Um PCP mais forte. É preciso! É possível!”, aprovada pelo Comité Central.

Na assembleia, para além de se procurar traduzir a realidade concreta do distrito e da Organização Regional do Partido, foi dado conta das medidas que, ainda que numa fase inicial, se estão já a concretizar. Ao longo do dia, diversos delegados partilharam várias experiências: da ligação muito próxima com a população e trabalhadores (como a luta em defesa dos artistas de rua em Aveiro, das dinâmicas de contacto directo com a população em Anadia e na Mealhada ou de contacto com sectores específicos, como o do comércio); do reforço do trabalho de direcção e controlo de execução; da divulgação da imprensa partidária (como o Avante! e O Militante); do recrutamento como condição essencial ao reforço; ou o processo de entrega do novo cartão de membro do Partido (trabalho que agora assume particular centralidade).

Como se evidenciou na AORAV, bastou dar passos no sentido da concretização destas medidas de trabalho para que os resultados começassem a surgir. Por exemplo, só nos primeiros cinco meses deste ano, já se recrutaram mais militantes do que na totalidade do ano anterior.

«Construir mais Partido, de forma integrada e dialéctica: mais Partido, mais luta e mais luta significa mais gente nova e nova gente para reforçar o Partido», salientou Paulo Raimundo na intervenção de encerramento, afirmando igualmente a necessidade de responsabilizar, «de forma audaciosa e com coragem», novos militantes. «Reforçar o Partido a partir do Partido que temos», apontou, e questionar «quantos somos, onde estamos e, acima de tudo, onde é que podemos estar e ainda não estamos».

 

Resolução Política aprovada e direcção eleita

A proposta de Resolução Política colocada à apreciação e votação dos delegados à XII AORAV foi aprovada por unanimidade no final dos trabalhos. Mas mesmo antes da assembleia, todos os militantes foram chamados a participar no debate preparatório que envolveu a realização de diversas reuniões e 11 plenários. Este amplo processo de discussão traduziu-se no enriquecimento de um documento que demonstra agora um aprofundado conhecimento dos problemas da região e que se constitui como uma importante ferramenta de trabalho e intervenção do Partido para os próximo anos.

Na assembleia estiveram presentes 102 delegados, com uma média de idades de 50 anos (tendo o mais novo 17 anos e o mais velho 83) e uma percentagem de mulheres de 38 por cento.

De salientar é também a percentagem de mulheres na nova Direcção da Organização Regional de Aveiro eleita, composta por 50 por cento de mulheres. Como afirmou Paulo Raimundo, «não há democracia sem os direitos das mulheres concretizados e o Partido avança ainda mais conforme mais mulheres estiveram responsabilizadas e envolvidas».

 

Moção pela paz

Na XII AORAV foi aprovada, por unanimidade, uma moção que reafirma a determinação dos comunistas do distrito de Aveiro de «lutar contra a guerra e a perigosíssima escalada de confrontação levada a cabo pelo imperialismo» e, entre outros elementos, por uma «política externa portuguesa de independência nacional e de paz e amizade com todos os povos», conforme dita a Constituição da República Portuguesa.

 

 



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