«O povo cubano não merece o brutal e criminoso bloqueio»

O bloqueio dos EUA contra Cuba «é brutal, criminoso, é algo que o povo cubano não merece»: estas são palavras do Presidente da República de Cuba, Miguel Diaz-Canel, que reafirma a determinação do povo cubano em defender a sua soberania.

Cuba é um país de paz, um país que quer a paz, mas não teme a guerra


A maior brutalidade do bloqueio é, além da intensidade, a sua permanência no tempo – são mais de 60 anos – e o maior cinismo é como esse bloqueio está acompanhado de uma narrativa que trata de tornar invisível o verdadeiro culpado e de transformar essa realidade atirando a culpa para o que chamam um “Estado falido”», denunciou o também Primeiro Secretário do Partido Comunista de Cuba em entrevista ao jornal espanhol elDiário.es.

O dirigente revolucionário revelou que os hospitais cubanos não têm energia de que necessitam devido aos apagões eléctricos e que, por isso, há uma lista de espera para operações cirúrgicas de mais de 100 mil doentes, entre os quais mais de 12 mil crianças, considerando este o impacto mais criminoso do bloqueio. «A taxa de mortalidade infantil, que noutros momentos era de quatro e pouco, chegou inclusivamente a ser de 3,6 [por cada mil nascidos vivos], situa-se agora em décimas acima dos nove. Continua a ser uma taxa competitiva a nível internacional, mas não é a que nós estamos habituados», sublinhou.

O chefe do Estado cubano recordou que, em mais de cinco meses, só chegou à ilha um barco russo, o que durante 15 dias mudou a situação energética, «o que demonstra que não somos um Estado falido. Um Estado falido não poderia estar a sobreviver no meio desta situação nem poderia mostrar que quando tem recursos pode fazer as coisas de uma maneira distinta».

Cuba sempre defendeu o diálogo
Sobre a hipótese de uma invasão militar pelos EUA, o presidente cubano foi claro: «Cuba é um país que quer a paz, somos um país de paz. É uma mentira o que dizem os representantes do governo dos EUA, de que Cuba é uma ameaça para a segurança nacional dos EUA. Nós não tememos a guerra e preparamo-nos para enfrentar uma agressão militar. Preparamo-nos com o conceito da nossa doutrina militar, que é a guerra de todo o povo, que é uma doutrina de defesa com a participação de toda a população para nos defendermos».

Segundo Díaz-Canel, invadir Cuba custaria vidas cubanas, custaria centenas de milhares de vidas cubanas, mas também custaria ao invasor grandes perdas humanas em qualquer cenário. «Seria um desenlace complexo para os próprios EUA e para o nosso país, mas seria também uma ameaça para a estabilidade e a segurança da América Latina e das Caraíbas», precisou.

Sobre a disponibilidade de Havana para o diálogo com Washington, o dirigente cubano defendeu que «podemos ter um diálogo civilizado como o que têm os EUA com outros países que também considera adversários, independentemente das diferenças ideológicas. Mas, além disso, poderíamos ter relações comerciais, intercâmbio cultural, académico, desportivo, científico… Poderia haver turismo de ambas as partes sem restrições».

E esclareceu que «nós sempre defendemos o diálogo e, por isso, responsáveis cubanos mantiveram conversações [com os norte-americanos], em que propusemos tratar de resolver as nossas contradições bilaterais para encontrar áreas de cooperação nas quais possamos avançar com projectos que beneficiem ambos os povos e garantam a segurança de ambos os povos, da América Latina e das Caraíbas, da região em que vivemos».

 

«Raúl Castro é insubstituível»

O Primeiro Secretário do Comité Central do Partido Comunista de Cuba (PCC), e Presidente da República do país caribenho, Miguel Díaz-Canel, destacou que o general de Exército Raúl Castro, tal como Fidel Castro, é insubstituível e ganhou no coração do país um lugar muito especial.

Intervindo no sábado, 6, num acto de comemoração do 95.º aniversário do destacado revolucionário cubano e dos 65 anos da criação do Ministério do Interior, Díaz-Canel ressaltou que Raúl é um pilar desse bastião de dignidade e justiça que continua a ser Cuba, confrontada hoje pelo mais voraz e implacável dos impérios sem baixar bandeiras e sem render-se. Ao acto, que decorreu no Teatro Karl Marx, em Havana, assistiu Raúl Castro, que no passado dia 3 completou 95 anos. Durante a cerimónia, o presidente cubano transmitiu-lhe uma mensagem de felicitações em nome do Partido, do Governo, das organizações de massas e do povo de Cuba.

Díaz-Canel explicou que a celebração não é uma mera coincidência de datas no calendário revolucionário, é também o vínculo estreito entre uma obra e um líder. Lembrou que a fundação do Ministério do Interior a 6 de Junho de 1961 tem as suas raízes em estruturas organizativas criadas durante a luta guerrilheira, em particular o Corpo de Serviço Secreto do Estado Maior do Exército Revolucionário 26 de Julho nos territórios libertados pela Segunda Frente Oriental Frank Pais. E recordou que a ordem para a criação desse corpo rebelde foi assinada pelo então comandante-chefe da Segunda Frente, Raúl Castro.

O documento revela, hoje, a clara visão do jovem comandante daquela frente guerrilheira que, apenas com 27 anos, entendeu a importância de contar com uma estrutura que lhe permitiria conhecer e enfrentar – e citou textualmente Raúl – «tudo aquilo que possa afectar, comprometer ou pôr em perigo a segurança das nossas forças rebeldes».

Segundo Miguel Díaz-Canel, essa concepção de atempado alerta defensivo, de nunca baixar a guarda, de estudar, prever e preparar confrontos com os planos do inimigo, antecipando-nos a eles com determinação e astúcia, acompanharam-no durante toda a sua vida revolucionária, em função de um objectivo – proteger e defender o povo de riscos e ameaças.

O presidente cubano considerou que, sob esses princípios e juntamente com Fidel, Raúl tem sido professor, guia e inspiração para os combatentes das Forças Armadas Revolucionárias e do Ministério do Interior. Por isso, sublinhou, «face às calúnias e às insensatas e ilegais acções que pretendem lançar-se, a partir do covil mafioso da Florida, contra o general de Exército», espalhou-se nas redes sociais e muito mais além a frase «Raúl é Raúl», inspirada naquela que muito antes dissera ele referindo-se a Fidel para destacar os excepcionais méritos do seu irmão de sangue, de ideais e de combates.

E Díaz-Canel reiterou que «Raúl é Cuba e em Cuba não se toca!»



Mais artigos de: Internacional

Irão exige condições de segurança efectivas

O Irão não abdica de incluir o Líbano num futuro acordo de paz para o Médio Oriente e retaliou face aos ataques israelitas contra Beirute. As autoridades iranianas acusam os EUA de serem os principais responsáveis pela tensa situação que se vive na região.

Palestina acusa Israel de massacres sistemáticos

O exército sionista continua a cometer crimes de guerra e terrorismo organizado na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, acusam autoridades palestinianas. As crianças contam-se entre os grupos mais afectados pela agressão genocida israelita.

Vietname continua a trabalhar para superar sequelas de guerra

O primeiro-ministro do Vietname, Le Minh Hung, foi designado para dirigir o Comité Directivo Nacional para superar as consequências das bombas, minas e toxinas químicas lançadas durante a guerra de agressão promovida pelos EUA. Uma resolução sobre o assunto, emitida no dia 5, em Hanói, informa...

O mundo sabe onde está a verdade

Do México à China, do Vietname à Rússia, de Espanha ao Brasil, da Nicarágua ao Sri Lanka, multiplicam-se por todo o mundo mostras de solidariedade internacional com Cuba, a sua revolução, o seu povo. Recentemente, o primeiro-ministro cubano, Manuel Marrero, agradeceu nas redes sociais aos amigos, governos e organizações...

Quadro Financeiro da UE – o que prejudica Portugal tem de ser contrariado

A discussão sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual (QFP) da União Europeia vai tornando mais evidentes as principais preocupações inicialmente identificadas sobre o destino dos recursos orçamentais da UE, bem como as ameaças que impendem sobre Portugal em consequência das opções que estão agora a ser feitas. A...