Palestina acusa Israel de massacres sistemáticos
O exército sionista continua a cometer crimes de guerra e terrorismo organizado na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, acusam autoridades palestinianas. As crianças contam-se entre os grupos mais afectados pela agressão genocida israelita.
Em menos de três anos, há registo de 73 mil mortos e 173 mil feridos palestinianos na Faixa de Gaza
Lusa
O presidente do Conselho Nacional Palestiniano, Rouhi Fattouh, acusou Israel de executar massacres sistemáticos contra civis na Faixa de Gaza, devastada por quase três anos de guerra. Num comunicado, afirmou que tais acções constituem um crime de guerra, um genocídio e terrorismo organizado praticado pelo Estado ocupante.
Atacar famílias dentro das suas habitações revela a mentalidade criminosa do exército israelita, que se gaba de matar mulheres e crianças e viola o direito internacional humanitário e as Convenções de Genebra, acentuou. Fattouh considerou ainda que essas violações contrariam de forma flagrante todos os acordos e compromissos políticos e de segurança existentes. Também criticou o governo dos EUA ao assinalar que «tem a obrigação de assumir as suas responsabilidades políticas, morais e legais para deter esta agressão e conter» o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Face a esta situação, o dirigente palestiniano apelou ao mundo, e em especial às Nações Unidas, no sentido de adoptar medidas imediatas e vinculantes para finalizar as matanças e levar perante a justiça internacional os culpados.
Foi, entretanto, noticiado que, em resultado dos bombardeamentos israelitas contra a Faixa de Gaza, apesar do cessar-fogo teoricamente em vigor, continua a crescer o número e mortos e feridos entre a população palestiniana. Segundo dados oficiais, quase 73 mil palestinianos morreram e mais de 173 mil ficaram feridos em resultado dos ataques do exército ocupante, desde o início do actual ciclo de violência, em 2023.
Tanto a ONU como organizações não-governamentais e governos elevaram a voz nas últimas semanas perante o incremento da crise humanitária no território, onde vivem mais de dois milhões de pessoas.
Crimes israelitas contra as crianças
As crianças palestinianas encontram-se entre os grupos mais afectados pela contínua agressão israelita face aos crimes sistemáticos, como assassinatos, ferimentos, detenções e deslocamentos forçados, denunciou uma fonte oficial em Ramala.
A ministra palestiniana de Assuntos da Mulher, Mona Al-Khalili, criticou numa nota de imprensa a privação de serviços básicos contra os menores, o que, disse, mina os seus direitos à vida, à saúde, à educação e à protecção.
Al-Khalili questionou a grave situação humanitária e jurídica das crianças na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental.
Este sofrimento representa uma violação flagrante do direito internacional humanitário e da Convenção sobre os Direitos da Criança, afirmou a responsável, que pediu uma acção global urgente para travar esses crimes. Assinalou que milhares de crianças morreram, foram feridas ou tiveram de ser deslocadas à força desde o início da agressão contra o território costeiro palestiniano. Alertou também para as contínuas agressões contra as crianças da Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, entre as quais citou os ataques dos colonos, detenções, deslocamentos forçados e restrições ao acesso à educação e aos serviços básicos.
A ministra abordou a situação dos menores presos nos cárceres israelitas e as profundas consequências psicológicas e sociais derivadas da guerra, da violência, do deslocamento forçado e da perda de familiares. Acentuou que protegê-los implica pôr fim à política de impunidade e exigir responsabilidades a quem cometer crimes contra crianças. Proteger os menores não é só uma responsabilidade nacional, mas uma obrigação legal e moral que recai sobre toda a comunidade internacional, para garantir o seu direito à vida, à dignidade, à segurança e a um futuro seguro e justo, insistiu.




