O “Sistema” e os “Camilos”

Carlos Gonçalves

Isto anda cheio de Camilos (meninos da nobreza em latim), neste caso são “fazedores de opinião”, ideólogos e aproveitadores do sistema do capital financeiro e das suas vicissitudes, que se copiam e complementam no espaço mediático e político – simples mercenários ou militantes em causa própria – em defesa dos grandes interesses.

Camilo Lourenço (CL) é dos mais conhecidos, porque se desmultiplica em publicações e programas de TV nos média do grande capital, apoiado nas especializações de direito económico em Universidades dos USA. Mas a verdade é que não tem sido dos mais contraditados, porque não se afasta das ideias mais comuns e das posições e campanhas das forças sociais e políticas mais conservadoras, sempre bastante óbvias. É um daqueles em que os “reaças” e seus acólitos se inspiram nas suas lérias.

Do acervo das suas posições destaca-se o ideário dito neoliberal, repetido à exaustão – na economia, “mercado livre”, desregulação, financeirização, privatização de sectores e empresas públicas, redução do Estado e despesa pública, austeridade fiscal, baixos salários; na política, aproximação ao modelo do Chile fascista de Pinochet, de Reagan e Thatcher e, como se comprova na UE e no Mundo de hoje, do “populismo” protofascista, de Trump e seus seguidores.

Não se estranha que CL se tenha revelado muito próximo do CH e da sua liderança, seguindo às vezes o truque mediático de, a partir de um pretenso desacordo de pormenor, lhe conceder todo o espaço de propaganda de posições e imagens. Por isso CL foi considerado muitas vezes membro do CH.

CL segue uma lógica de zurzir tudo o que entrave o projecto reaccionário e a que sem vergonha chama de combate ao “sistema”. Ataca no pacote laboral – derrotado –, na habitação, na segurança social, nas privatizações, na CRP, no que seja. Faz-se passar por campeão do ataque ao “sistema” de Abril, mas do que se trata é da recuperação total do sistema (sem aspas) capitalista de exploração e opressão.

CL tem profundos pesadelos com as derrotas impostas pela luta dos trabalhadores e do povo, por isso diz agora que os seus colegas do CH se passaram para o que chama o “sistema”, porque o pacote laboral foi mesmo derrotado. Uma grande vitória e um dia muito triste para os “Camilos” que por aí andam.

 



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