EUA constroem base militar na Faixa de Gaza
A primeira obra adjudicada na Faixa de Gaza pela chamada Junta de Paz, criada pelos EUA, é uma base militar para albergar tropas marroquinas integrantes de uma Força Internacional de Estabilização também controlada por Washington.
Pelo menos 300 crianças de Gaza foram mortas por Israel nos 300 dias desde o início do cessar-fogo, em Outubro de 2025
A Junta de Paz criada pelos Estados Unidos da América (EUA) celebrou um contrato para a primeira obra na Faixa de Gaza, informou o jornal britânico The Guardian. Não se trata da reconstrução do enclave – 90 por cento do qual foi destruído pelos bombardeamentos de Israel – mas da edificação de uma base militar para 150 pessoas, que albergará tropas marroquinas nos 60 por cento do território hoje directamente ocupado pelo exército israelita.
A obra foi adjudicada a uma empresa dos EUA que no passado foi contratada pelo governo norte-americano para projectos no Iraque.
Marrocos, um aliado dos EUA e de Israel, concordou em enviar para o enclave costeiro palestiniano tropas integrantes de uma Força Internacional de Estabilização, criada pela chamada Junta de Paz, para controlar a zona em nome de Washington e Telavive.
Esse organismo, presidido por Donald Trump, assessorado pelo seu genro Jared Kushner e pelo seu amigo Steve Witkoff, trabalha com um Comité Nacional para a Administração de Gaza na preparação de adjudicações de várias obras.
A referida base militar, inicialmente com 100 por 120 metros, contempla uma estrada rápida até Israel para utilização das tropas ocupantes. O projecto indica que a obra será apenas a primeira fase de uma base maior destinada a cinco mil efectivos, com instalações de combate e perímetro defensivo.
Esta primeira adjudicação ocorre quando mais de dois milhões de palestinianos vivem em condições precárias, maioritariamente em acampamentos de tendas, onde sofrem assédio, fome e ataques diários por parte do exército israelita, que destruiu de 80 a 90 por cento das construções e da infraestrutura, tornando quase inabitável a Faixa de Gaza, além de assassinar mais de 73.000 pessoas e ferir mais de 172.000, a maior parte delas crianças e mulheres.
Violações israelitas do cessar-fogo em Gaza
O Gabinete de Imprensa da resistência palestiniana em Gaza informou que a ocupação israelita infringiu o acordo de cessar-fogo em mais de 4.091 ocasiões durante os últimos 300 dias e tirou a vida de mais de 1.254 palestinianos, provocou ferimentos a 4.121 pessoas e a prisão de 159 cidadãos.
O relatório, divulgado a 6 de Agosto, pormenoriza que essas violações coincidem com a obstrução sistemática do acesso de camiões carregados com alimentos e ajuda humanitária, assim como com a imposição de restrições ao movimento de pessoas para e desde a Faixa de Gaza.
Segundo dados proporcionados pelo Gabinete de Imprensa, as autoridades israelitas só permitiram o ingresso de 83.094 camiões dos 180.000 necessários, o que representa uma taxa de cumprimento de 35 por cento.
Quanto ao posto fronteiriço de Rafah, foi autorizada unicamente a passagem de 10.703 viajantes dos 27.400 previstos desde que se acordou a abertura da fronteira, o equivalente a um cumprimento de 39 por cento. O documento também registou a detenção de 159 palestinianos durante a vigência do acordo de tréguas.
O Gabinete de Imprensa condenou a política sistemática da ocupação contra o povo palestiniano e responsabilizou-a pelo agravamento da situação humanitária no enclave.
O organismo fez um apelo aos países mediadores e patrocinadores do acordo de cessar-fogo para que obriguem Israel a cumprir com os termos estabelecidos e travar as suas constantes violações.
O acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, vigente desde há 300 dias, tem estado marcado por denúncias recorrentes de incumprimento. Os dados difundidos confirmam que, transcorridos 10 meses desde a entrada em vigor da trégua, a situação humanitária em Gaza permanece condicionada pelas restrições ao ingresso de ajuda e pelas operações militares esporádicas em distintas partes do território.
300 menores mortos por Israel em 300 dias
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revelou, na quinta-feira, 6, que pelo menos 300 menores de idade da cidade palestiniana de Gaza foram assassinados por Israel nos 300 dias que passaram desde o anúncio de cessar-fogo de Outubro de 2025, o equivalente a uma alarmante média de uma criança morta por dia, o que constitui um crime de guerra.
«Com mais centenas de crianças feridas, muitas delas gravemente, os meninos de Gaza continuam à espera do fim da violência que lhes foi prometido. (…) Um cessar-fogo que deixa uma criança morta por dia está a falhar com as crianças», afirmou Edouard Beigbeder, director regional da Unicef para o Oriente Médio e o Norte de África.
O organismo denunciou que estas mortes foram causadas em consequência da quebra do cessar-fogo em curso, que obriga a suspensão das operações militares e o acesso a ajuda humanitária e assistência. Neste sentido, instou que os acordos se traduzam em mudanças efectivas no terreno no que diz respeito a um cessar real dos confrontos armados.




