A «rescisão» poderá não ser a melhor solução
Trabalhadores persistem na luta
Sorefame tem futuro
Só com determinação na luta é que a unidade portuguesa da Bombardier pode ser salva. Os trabalhadores desdobram-se em iniciativas para evitar o crime contra eles e a economia nacional.
Durante a passada semana, os trabalhadores desmultiplicaram-se em iniciativas para alertar a opinião pública e exigir do Governo medidas para manter a ex-Sorefame a laborar e salvaguardar a sua mão-de-obra especializada, ambas únicas no País.
Na quinta-feira de manhã, protestaram junto à residência oficial do primeiro-ministro.
De tarde, rumaram ao IEFP da Amadora, onde entregaram um documento que contém propostas para a viabilização.
No dia seguinte, aproveitando o encontro no Ministério da Economia entre o ministro da tutela e o administrador da Bombardier em Portugal, membros das ORT’s concentraram-se frente ao Ministério e solicitaram uma reunião com o ministro Carlos Tavares. Este voltou a repetir-lhes o que Carmona Rodrigues, ministro dos Transportes, havia proferido dois dias antes e até reconheceu existir mercado em Portugal para a empresa.
No entanto, à saída do encontro com o administrador da multinacional, este último voltou a assegurar à comunicação social que, à administração da ex-Sorefame, não foi apresentada qualquer proposta, nem por parte de qualquer outro Grupo, nem do Governo PSD/PP.
No sábado, os trabalhadores mercaram presença na inauguração das novas estações do Metropolitano de Lisboa até Odivelas e voltaram a interpelar Durão Barroso e o ministro dos Transportes.
No plenário de dia 24, os trabalhadores decidiram prosseguir com a greve durante os períodos da tarde ao longo desta semana. Classificando como um crime o encerramento da única empresa em Portugal de fabrico de material de transporte circulante ferroviário e o despedimento da sua mão-de-obra altamente qualificada, os trabalhadores ocuparam no passado fim de semana, as instalações da empresa.
Como disse Manuel Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP-IN, presente no plenário, Portugal nos próximos anos terá necessidade de material circulante ferroviário e dos produtos da ex-Sorefame.

Despedimentos

O plenário realizou-se um dia após a administração canadiana ter estabelecido uma data limite – dia 8 de Abril – em forma de ultimato, para negociar as chamadas «rescisões por mútuo acordo» que, segundo as ORT’s, como António Tremoço afirmou ao Avante!, «não passam de despedimentos encapotados».
A partir de dia 8, a Bombardier ameaçou iniciar o processo de despedimento colectivo para quem não aceite a rescisão, deixando os trabalhadores entre duas alternativas que não lhes garantem nem os postos de trabalho, nem a continuidade da empresa.
O sindicalista denunciou, após o encontro no Ministério da Economia, o Governo por estar a usar verbas do Fundo de Pensões dos trabalhadores para pagar as rescisões.
Um dia depois, o ministro Bagão Félix anunciou a intenção de alterar a lei sobre indemnizações por despedimento. Se, actualmente, a lei conta um mês por cada ano de trabalho, agora o Governo pretende que quem receba uma indemnização superior a esse montante, poderá ver proporcionalmente reduzido o subsídio de desemprego.
Mais de cem trabalhadores terão aceitado já rescindir, antes de saberem desta pretensão do Governo.

Trabalhadores em Estrasburgo

Piniciativa dos deputados do PCP, integrados no Grupo Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica, uma delegação do Conselho Europeu de Empresa da Bombardier esteve, na terça-feira passada, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.
A eurodeputada comunista e cabeça de lista às eleições europeias de 13 de Junho, Ilda Figueiredo, tinha alertado o PE em Novembro, para a situação na ex-Sorefame, através de duas perguntas feitas à Comissão Europeia. No dia 18 de Março, voltou a questionar a Comissão sobre as medidas que pensaria tomar para evitar o encerramento.
Também o eurodeputado comunista, Sérgio Ribeiro fez uma referência à situação, no debate sobre as Redes Transeuropeias e o TGV, realizado na última sessão plenária, em Estrasburgo.
Da delegação fizeram parte representantes dos trabalhadores da Bombardier de Portugal, Grã-Bretanha, Alemanha e Suécia, países onde estão sediadas as unidades que a multinacional canadiana pretende encerrar na Europa destruindo 6.600 postos de trabalho.
Encontraram-se na tarde do mesmo dia com membros da Comissão do Emprego e Assuntos Sociais e da Comissão de Indústria, do Comércio Externo, da Investigação e da Energia do Parlamento Europeu.
Efectuaram ainda um encontro com o Grupo que integra os comunistas portugueses.

Demagogia com o PDM

Durão Barroso afirmou, na passada quinta-feira, que o Governo recusa qualquer tipo de revisão do Plano Director Municipal da Amadora, segundo proferiu, de forma a evitar a especulação imobiliária com os terrenos da empresa.
Manuel Gouveia, membro do secretariado da Comissão Concelhia do PCP, denunciou, em declarações ao Avante!, aquela posição que considera ser «uma forma de desviar as atenções do fundamental que é manter a empresa em laboração e, quanto a isso, nada foi garantido».
Para a concelhia do PCP, «o PDM, por agora, está fora de discussão e a recusa da sua revisão foi aprovada há já quase um ano – em Maio de 2003 - na Câmara e na Assembleia Municipal da Amadora por proposta da CDU», afirmou.

Solidariedade

A Associação Unitária de Reformados, Pensionistas e Idosos da Falagueira, na Amadora, AURPIF, fez aprovar, no dia 25, por unanimidade e com aclamação, uma moção de solidariedade com os trabalhadores da Sorefame. O documento denuncia os objectivos da multinacional Bombardier: «destruir a capacidade produtiva instalada, manter-se a vender para o mercado português, não permitir que outra multinacional reforce a sua posição no mercado e continuar a aumentar os seus lucros».


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