Desde o início da Intifada, os israelitas mataram 2900 palestinianos
Campo de Rafah arrasado
Mês sangrento na Palestina
Em Maio, as forças israelitas mataram 137 palestinianos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, denuncia o Conselho Palestiniano para a Paz e a Justiça (PCPJ).
De acordo com um relatório do PCPJ, divulgado a 2 de Junho, para além do elevado número de vítimas, entre as quais se contam 43 com menos de 18 anos, o mês de Maio ficou ainda assinalado pela intensa destruição levada a cabo pelas forças israelitas nos territórios ocupados.
Entre outros aspectos, o documento refere a destruição de 371 viaturas, bem como a expropriação de 99,4 hectares de terras palestinianas para a expansão de colonatos, estabelecimento de novas bases militares ou construção de muros de separação.
Os novos dados vêm confirmar que nada de substancial se alterou na política de Israel, como de resto se pode verificar pelo trágico balanço dos últimos quatro anos.
Segundo o relatório do PCPJ, desde o início da segunda Intifada, em Setembro de 2000, as forças israelitas mataram 2900 palestinianos no conjunto da Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, 115 dos quais em postos de controlo, 436 em «assassinatos selectivos» e 44 em ataques de colonos judeus.
Entre as vítimas contam-se 759 menores de idade, 713 estudantes e professores, 307 membros das forças de segurança palestinianas e 142 mulheres.
Quanto ao número de feridos, o relatório assegura que ascende a 53 336, sendo 14 961 menores e 2510 mulheres.
O documento do PCPJ refere ainda que os ataques deixaram 6270 pessoas incapacitadas ou gravemente feridas, entre as quais se contam 3000 crianças.
Desde Setembro de 2000, as forças israelitas prenderam pelo menos 28 000 palestinianos, sendo que 7500 continuam presos.
No mesmo período, o número de árvores de fruto (sobretudo oliveiras) arrancadas pelo exército ou por colonos judeus subiu para 845 000, enquanto 44 992 casas foram danificadas e 4105 totalmente destruídas.

ONU apela a auxílio de urgência

A organização das Nações Unidas para a assistência aos refugiados palestinianos (UNRWA) apelou entretanto à angariação de 15 milhões de dólares para ajuda de urgência aos habitantes de Rafah, na Faixa de Gaza.
«A UNRWA necessita de fundos para distribuir verbas de emergência, alimentos e alojamento a centenas de famílias que perderam as suas casas, cujo sustento morreu ou está ferido ou que precisam de assistência médica», após as «semanas da mais intensa destruição que se registou em Gaza desde o início da Intifada palestiniana”, afirma um comunicado da organização divulgado a 1 de Junho.
Segundo o documento, a UNRWA encontra-se totalmente desprovida de meios para fazer face aos danos causados pelos ataques israelitas no campo de refugiados de Rafah, que de acordo com o presidente da organização, Peter Hansen, foi «arrasado».
A pretexto de prender ou liquidar alegados extremistas e de destruir túneis pretensamente usados para o contrabando de armas, o exército israelita levou a cabo uma intensa ofensiva em Rafah entre 18 e 25 de Maio, de que resultaram 56 palestinianos mortos e 167 casas destruídas ou parcialmente danificadas.


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