• Miguel Inácio

Há uma obra inacabada que a CDU quer concluir
Trabalho, honestidade e competência
Construir o futuro em Barrancos
A CDU, pelo seu trabalho e reconhecido património de obras e realizações, confirmou-se, no dia 9 de Outubro, como uma grande força política nacional nas autarquias, indissociavelmente ligada à construção do Poder Local, à sua afirmação como espaço de resolução de problemas e de intervenção a favor do desenvolvimento e bem estar das populações. Desta vez, o Avante!, foi a Barrancos e falou com uma equipa de gente motivada, que, apenas, exige e quer o melhor para a sua terra.
Uma placa à beira da estrada informa-nos que faltam apenas alguns quilómetros para alcançar o nosso destino: Barrancos. Para trás ficaram vastas planícies de campos de trigo, agora em pousio, misturadas com os elegantes e ancestrais sobreiros.
Com uma população de cerca de duas mil pessoas, Barrancos situa-se numa zona fronteiriça com Espanha, tendo Moura e Serpa por concelhos vizinhos. Parte integrante de uma vasta região denominada «A Contenda» (que, sem limites ou fronteiras durante séculos, foi utilizada por portugueses e espanhóis em simultâneo), sofreu influências culturais muito marcados do país vizinho.
Uma das marcas mais notórias é a existência de um dialecto próprio, só dominado pelos locais, que conseguem expressar-se, a um só tempo e numa mesma frase, em três línguas: português, castelhano e uma mistura das duas: barranquenho. Característica absoluta de Barrancos, este dialecto (actualmente leccionado na escola local) reveste-se de sabedoria popular, através das suas lendas e expressões, desconhecidas fora dos limites do concelho.
Hoje, esta pequena vila alentejana, com um vasto e grandioso passado histórico, quer retomar o caminho de progresso e de desenvolvimento deixado ao abandono durante quatro anos. Recorde-se que, nas eleições autárquicas de 2001, pela primeira e última vez, espera-se, o PS conquistou, por apenas 12 votos, a presidência da Câmara Municipal de Barrancos.
Passados quatro anos, após uma gestão desastrosa e ruinosa, a população, farta de promessas não concretizadas, votou massivamente na CDU, no seu projecto, indissociavelmente ligado à construção do Poder Local, à sua afirmação como espaço de resolução de problemas e de intervenção a favor do desenvolvimento e bem-estar das populações.
«É um retorno com muito agrado, uma vez que há uma obra inacabada que a CDU quer concluir, para lançar as bases do desenvolvimento desta terra, deste município do interior do País», afirmou António Pica Tereno, presidente da Câmara Municipal de Barrancos, eleito pela CDU.
No entanto, fruto do trabalho que se iniciou com muito tempo de antecedência, esta era uma vitória esperada. «Esperávamos este resultado por todo o trabalho que desenvolvemos ao nível da própria comunidade, expondo as nossas ideias. Depois, tivemos o apoio da juventude que se empenhou com muita dinâmica na campanha eleitoral e integrou desde o início o nosso projecto», continuou o autarca.
Este foi também um resultado importante para o Alentejo, com a recuperação de mais duas câmaras municipais (Barrancos e Vidigueira), e para o Partido. «Este trabalho, com muitos meses de antecedência, foi, naturalmente, preparado em termos de Partido. Conversámos com todos os militantes e amigos deste projecto autárquico, vimos quem seriam os que reuniam as melhores condições, na base de uma realidade que foi a perda, há quatro anos, desta autarquia», disse Manuel Reis, responsável do PCP pelo concelho de Barrancos, lembrando que «a honestidade, a sinceridade e o respeito pelos barranquenhos pesou decisivamente nestas eleições».

Consolidação dos resultados

Outro dos factores a ter em conta, segundo este comunista, está na campanha de contactos e de reforço do PCP. «Esta vitória da CDU é uma sequência de outras vitórias. Nas últimas eleições para a Assembleia da República, a CDU registou um aumento percentual de 6,5 por cento, o que foi um estímulo para as eleições autárquicas, que extravasaram todas as nossas melhores expectativas, ou seja, houve uma confirmação e uma consolidação de uma subida de votos na CDU».
Com os olhos postos no futuro, lembrou ainda que se aproximam as Eleições Presidenciais, no dia 22 de Janeiro, «completamente diferentes, distintas, mas pensamos, também aqui, vir a consolidar a posição do Partido e da CDU e, de alguma forma, que ela seja uma continuação do alimentar das nossas esperanças».
«Fez-se trabalho no Partido, com muitas reuniões preparatórias, recuperámos muitos militantes do PCP, a actualização das fichas está na totalidade resolvida, de facto, todas estas batalhas, sobrepuseram-se neste trabalho, mas o que é um facto é que ele não está desligado», terminou Manuel Reis.

Um concelho no interior do País

«Um ambiente de loucura sã», foi assim que António Pica Tereno qualificou a noite de dia 9 de Outubro. «Não houve um mínimo de desacato, mas de facto a população empolgou-se e veio festejar a vitória da CDU para a nossa sede. Depois percorremos as ruas da vila agradecendo a confiança da população», relatou emocionado.
Interrogado, fez ainda o resumo do que foram os últimos anos de gestão PS na Câmara Municipal. «O concelho perdeu quatro anos, esta é a conclusão que se pode tirar. Agora há que recuperar o tempo perdido, mesmo a nível financeiro, porque foi um marasmo de ideias e de projectos», denunciou, dando o exemplo do Cine-Teatro «que era para ser construído em nove meses; já lá vão quatro anos e ainda não está acabado. Portanto, vamos ser nós a terminá-lo».
O Parque de Feiras e Exposições, o Centro de Acolhimento de Pequenas e Médias Empresas e o Parque Empresarial de Barrancos, foram também promessas não concretizadas.

Vontade indomável

«Esta é a diferença entre o projecto autárquico da CDU e dos restantes partidos políticos: é que nós prometemos e cumprimos. Fazemos as coisas, contrariamente ao PS, que, nestes últimos quatro anos, prometeu tudo e mais alguma coisa e, depois, não fez nada. Pior que isso, esbanjou dinheiros públicos e isso para mim é crime», acusou, valorizando o projecto da CDU.
«Toda esta equipa está imbuída daquele ideal de fazer coisas, contra tudo e contra todos se for necessário. Se tivermos impedimentos vamos ultrapassá-los, há uma vontade indomável de concretizar, de acordo com a população, até porque o que se avizinha não é bom, ao nível do tão propalado projecto do Governo de fusão, extinção, de municípios e freguesias, e nós sabemos que estamos no ponto de mira», destacou António Pica Tereno, avisando: «Nós não vamos deixar que nos limitem em nada, que nos roubem aquilo que é nosso».
Criticou ainda o Orçamento de Estado para 2006, aprovado pelo PS, «que limita qualquer investimento por parte das autarquias. Vão-nos tirar mais de dez por cento das nossas verbas, contabilizando a questão dos descontos para a Caixa Geral de Aposentações, o IVA, a própria inflação em si, tudo isto nos vai prejudicar, ora isto é gravoso para uma autarquia como a nossa que está no interior mais profundo deste País, que está isolada, hà que ter isto em conta».

Melhorar a qualidade de vida
das populações


Não esquecendo o passado, de olhos postos nos próximos quatro anos, a CDU está empenhada em melhorar a qualidade de vida da população barranquenha.
«Temos muitas ideias e projectos, nomeadamente a construção de um novo lar de terceira idade, que tem que ser feito impreterivelmente. Vamos avançar com o projecto e tentaremos, por todos os canais que haja à disposição, que seja financiado pelo Poder Central. Se não conseguirmos vamos fazê-lo na mesma, portanto, arregaçamos as mangas e vamos para o trabalho, que é a nossa maneira de estar na vida política», prometeu o presidente da Câmara Municipal de Barrancos, avisando ainda que um novo centro de saúde tem que ser feito.
«Se o Estado não o fizer, vamos dotar o actual Centro de Saúde com melhores condições de atendimento, não só a nível da parte logística como a nível de pessoal. Não vamos estar à espera, avançaremos e teremos médicos sejam eles portugueses ou espanhóis», ameaçou.
Para fomentar o desenvolvimento do concelho, o Executivo CDU tenciona ainda investir na fixação de empresas, de todos os ramos, «mas não colidindo com a área ambiental. A transformação de carnes vai ser outro dos grandes vectores que nós devemos apoiar», sublinhou. A exploração do xisto da região e o turismo são outras das áreas em destaque.
Outras das apostas deste Executivo é o desporto. António Durão, vereador das áreas do Desporto, Obras e Protecção Civil, revelou que para este mandato está se a pensar em investir na área do atletismo. «Iremos ainda apoiar outras modalidades, nomeadamente o ténis, o andebol e o basquetebol, até porque queremos que as pessoas tenham uma maior variedade de modalidades desportivas que não passem apenas pelo futebol», disse.

Investir na região

Isabel Sabino, vice-presidente da autarquia, foi mais longe e, para além da necessidade de um centro de fisioterapia, voltou a falar na questão do Cine-Teatro, «um investimento lotado». «Este projecto tinha um limite temporal e isso está-nos a dificultar a vida, agora temos que acelerar todo o processo para poder conceber esses financiamentos», disse, referindo ainda a questão dos projectos feitos a nível internacional, neste caso com a vizinha Espanha «que aproveitou todos os fundos, recuperou os seus concelhos regionais, e, nós, em Barrancos, nos últimos quatro anos, não fizemos nada».
Na continuação do seu raciocínio, a autarca, eleita pela CDU, acusou ainda os municípios geridos pelo PS de «incompetência». «Os municípios liderados pelo PS fazem os projectos mas depois a sua visibilidade não é nenhuma. Em Barrancos, por exemplo, podíamos ter um castelo, um ex-libris do concelho, que foi adquirido no mandato da CDU, e que está ali ao abandono, o que fizeram foi colocar animais lá dentro para acabar de destruir o que restava».

Uma profunda relação com a comunidade

Quando, confrontados, lhes perguntamos quais as principais razões que levaram à perda da Câmara Municipal de Barrancos, os entrevistados não tiveram «papas na língua» e responderam frontalmente que foi «excesso de confiança». Depois, continuou António Pica Tereno, «foram muitos anos de gestão CDU, desde o 25 de Abril de 1974, e houve uma vontade, por parte da população, enganados, de experimentar o que dava uma outra gestão. Agora, viu-se, claramente, que não dava absolutamente nada, ou seja, a população abriu os olhos e reconheceu que era de inteira justiça dar outra vez o aval à CDU.
«Há que de facto estarmos atentos», disse Manuel Reis, destacando que é preciso «que o povo esteja bem informado, consciente, da forma como se conduzem as conversas, as discussões, e como se tiram as conclusões. Pode ser excessivo dizer que as pessoas estavam desejosas de mudar, mas se nós deixarmos um pouco daquilo que nos agarra e nos mantém, de facto, que é a nossa ligação com as pessoas, seja nas boas ou nas más decisões, deixam de acreditar».
Depois houve ainda o factor das promessas eleitorais. «O PS, na anterior campanha eleitoral, prometeu mundos e fundos, quem sabe porque pensava que não ia ganhar. Este ano fizeram o mesmo, já com mais cautela, mas continuam a ter comportamentos bem pertinentes do ponto de vista daquilo que não se pode fazer na política», confidenciou o comunista, lembrando que, «hoje, a CDU, se cumprir com as suas orientações em termos de projecto, numa relação profunda com as pessoas, respeitando sempre a opinião dos outros, tem todas as condições, tem credibilidade, é gente séria, trabalhadora, dá a cara, não se envergonha daquilo que faz e daquilo que é, e, portanto, isto são garantias suficientes para acreditarmos que é possível continuar».

Mudar para melhor

«Não são os outros que são melhores que a CDU. A CDU, uma renovação permanente das pessoas, dos candidatos, conhecendo as populações e os seus sentimentos, está em condições de realizar a obra necessária no concelho e nós acreditamos, exactamente, nisso», terminou.
«A diferença de votos que havia entre a CDU e o PS era cada vez menor, mas o que interessa agora reter é que, assim como no País, em concreto no caso de Barrancos e Vidigueira, houve uma grande mudança no sentido de voto nas pessoas. Eles (PS) não perderam por 12 votos, como se verificou em mandatos anteriores, mas sim por cem votos e no caso da Junta de Freguesia de Barrancos por 200, o que para um concelho como Barrancos representa uma maioria absoluta», valorizou Isabel Sabino.
«Isto, no meu ponto de vista, retira-lhes muito poder em termos de oposição», acrescenta a autarca, eleita pela CDU, terminando: «Os barranquenhos não são parvos, tentaram atirar areia para os nossos olhos, mas a verdade é que as pessoas não estavam contentes com o trabalho do PS. Esta foi uma grande vitória da CDU porque os barranquenhos souberam mudar na altura certa».
No final da conversa, António Pica Tereno, numa mensagem de esperança, destacou que «o futuro se constrói com o trabalho de todos nós, de uma equipa coesa, dinâmica, jovem, que quer construir os alicerces do concelho. Há limitações e dificuldades mas nós, embuídos daquele espírito indomável que é apanágio nosso vamos conseguir aquilo que de facto nos propomos, construir um futuro para todos nós».


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