«Uma perspectiva de futuro miserável»
JCP denuncia estratégia concertada entre Governo e o grande patronato
<font color=0094E0>Desemprego arrasa jovens trabalhadores</font>
No Encontro Nacional da JCP, os jovens comunistas alertaram para o aumento do desemprego e da exploração, que tem como objectivo a formação de uma nova geração de trabalhadores desprovidos de quaisquer tipo de direitos.
«A situação dos jovens desempregados no nosso País é das mais graves das últimas décadas», alertou Anabela Laranjeiro, desmistificando «a propagando do PS sobre o fim da crise económica» e «as medidas de criação de emprego». Um problema que afecta, segundo a jovem, a «geração mais qualificada de sempre, que frequentou mais anos de escolaridade, que serve para estagiar de graça e a quem dizem que não têm direito ao emprego efectivo».
Na sua intervenção - perante uma plateia de jovens trabalhadores, onde também esteve Rita Rato, deputada do PCP na Assembleia da República - deu ainda conta que em Dezembro de 2009, segundo o IFP, estavam inscritos nos centros de emprego 524 647 desempregados, fora os que «não estão inscritos nos centros de emprego, devido às regras apertadas», os que «se encontram em formação profissional» ou «nos cursos das Novas Oportunidades».
Neste sentido, Anabela Laranjeiro avançou com novos e mais reais números do desemprego. «A CGTP-IN afirma que o número real de desempregados ultrapassa, seguramente, os 610 mil e que cerca de 37 por cento são jovens com menos de 35 anos», revelou.
Relativamente à protecção social, são cada vez mais os trabalhadores e as suas receptivas famílias a serem confrontados com uma situação de desemprego e sem apoios. «Esta situação é fruto das políticas que apoiam os interesses do patronato», acusou, salientando que «a primeira das forma do desemprego entre os jovens são os vínculos de trabalho precário».
Para ilustrar a situação, Anabela Laranjeiro deu o exemplo da Bosch, em Braga. «Cerca de 600 jovens trabalhadores, contratados por uma empresa de trabalho temporário, ficaram sem o posto de trabalho. Meses depois foram admitidas 400 pessoas, sem estabilidade, com os mesmos baixos salários», denunciou. «Esta situação não vai melhorar enquanto estes senhores não ficarem desempregados», afirmou.

Menos direitos e baixos salários

Esta intervenção foi complementada, durante todo o dia, com relatos de vários pontos do País. Em Braga, por exemplo, dos 75 mil desempregados, 36 por cento são jovens. «Uma perspectiva de futuro miserável que obriga os jovens a procurar os enganosos cursos das Novas Oportunidades, o trabalho precário e a emigração», referiu Sérgio Almeida. Situação que obrigou Pedro Bonifácio, de Castelo Branco, a procurar emprego em Lisboa. «Eu sou um dos muitos jovens que foi obrigado a procurar emprego noutra região», revelou, lamentando: «Todos os dias tenho que me esquecer aquilo que eu sou, o que gosto de fazer, que gostava de vir a fazer no futuro».
«Na Zona Centro a taxa de desemprego aumentou 25,1 por cento, desde o último trimestre de 2008 para o seu homólogo de 2009, o que representa mais de 14 mil novos desempregados de um total de 71224», afirmou Carlos Costa, de Coimbra, recordando: «Os jovens desempregados são quase 50 por cento do total de desempregados».
No distrito de Santarém, o desemprego, que ronda os oito por cento, é, de igual forma, um flagelo que afecta todas as camadas sociais, em especial os jovens (11 por cento).
De Setúbal veio a denúncia, dando como exemplo a Autoeuropa e da Portocel, daquilo que tem sido a política exercida ao longo dos últimos anos. «Poucos são os que pertencem aos quadros das empresas, havendo centenas de trabalhadores que têm contratos com empresas de trabalho temporário ou empresas de subempreiteiros, com menos direitos e com salários mais baixos», criticou Miguel Violante.

Esgotar o poder reivindicativo

A generalização de contratos de vínculo laboral precário- de duração diário, semanal, mensal, semestral - tem sido regra, particularmente junto da juventude. Medidas que, segundo a JCP, «visam reduzir e retirar direitos conquistados com muitos anos de luta por parte dos trabalhadores e esgotar o poder reivindicativo destes e em particular dos jovens, contribuindo para o enfraquecimento da sua consciência política e de classe».
No Encontro, foram ainda valorizadas as lutas que se têm travado nos últimos meses, nomeadamente da função pública, dos enfermeiros, dos trabalhadores da JP Sacouto, da Rhode, da Lear, da Autoeuropa e da Delphi, da Covina/Saint Gobain, da CP Revisão, da CP-Carga, da EMEF, da Califa, da Jadoibérica, da Império Pneus, da Auto Sueco, da Euroresinas, da Aerosoles, do SMTUC e da IFM-Platex, bem como as acções da CGTP-IN/Interjovem contra a precariedade e contra o aumento da jornada de trabalho. Lutas em torno dos aumentos salariais, na defesa dos postos de trabalho e melhoria das suas condições, contra a desregulamentação dos horários, pelo pagamento do subsídio de Natal e retroactivos, pela defesa da contratação colectiva entre muitas outras questões concretas.

Afirmar o papel da JCP

Um dos temas que esteve em «cima da mesa», como não podia deixar de ser, foi o 9.º Congresso da JCP, que se vai realizar nos dias 22 e 23 de Maio, em Lisboa, com o lema «Com a luta da juventude, construir o futuro». «Neste momento, já toda a organização está profundamente envolvida na sua preparação, num processo muito alargado de envolvimento, intervenção, discussão e auscultação», lembrou David Pereira, membro da Direcção Nacional da JCP, explicando que o Orgão Máximo dos jovens comunistas terá como grandes objectivos a «afirmação do papel da JCP como a organização revolucionária da juventude», o «reforço da JCP e da sua capacidade da sua intervenção, junto da juventude portuguesa, através de um maior número de militantes, colectivos de base e uma maior capacidade de realização desses mesmos colectivos» e o «aprofundamento da análise e reconhecimento da realidade da juventude».
Neste sentido, David Pereira falou da necessidade, até ao 9.º Congresso, de recrutar mil novos «camaradas» até Maio, 330 dos quais jovens trabalhadores. Avançou ainda com a necessidade, no âmbito de uma campanha nacional da JCP, de angariar 60 mil euros até ao Congresso.

Medidas demagógicas do Governo

No decurso do Encontro, foram aprovadas, por unanimidade, duas moções. Na primeira, os jovens trabalhadores da JCP reivindicaram o «aumento dos salários e o fim da precariedade» e acusaram os sucessivos governos de agravar «as condições de vida dos trabalhadores». Alertaram ainda para o facto de o Executivo PS ter apresentado «medidas demagógicas» de combate à precariedade, nomeadamente com a proposta de pagamento de mais três por cento de taxa social única para quem contrata a termo, o que permite a «legalização destes contratos, à semelhança do que o Governo fez na questão dos recibos verdes».
No outro documento, a JCP prometeu «esclarecer» e «mobilizar» os jovens trabalhadores para participarem de forma combativa e determinada na grande manifestação nacional de jovens trabalhadores, convocada pela Interjovem/CGTP-IN para o próximo dia 26 de Março, na Praça do Município, em Lisboa.

Torneio AGIT

Está já nas ruas a 6.ª edição do Torneio AGIT, torneio de futsal da JCP, que tem como lema «Com a luta da juventude, dá um chuto nestas políticas!». «Com características únicas no nosso País, até pelos milhares de jovens que envolve, é uma oportunidade única de participares num torneio de futsal que mais do que um mero momento de prática desportiva é um momento de camaradagem, solidariedade e de luta pelos direitos da juventude», acentua a JCP, no seu site, onde se pode obter mais informações, .

«Paz sim! NATO não!»

A Organização do Ensino Superior de Lisboa da JCP realizou, no dia 18 de Fevereiro, uma iniciativa de pintura de mural e venda do jornal AGIT na Cantina «Velha» da Cidade Universitária. O mural, subordinado ao tema «Paz sim! NATO não!», esteve inserido na campanha «100 murais» no âmbito da preparação do 9.º Congresso da JCP.
Esta iniciativa visou reafirmar os valores da paz, contra a guerra e a NATO, que tem vindo a ser responsável pela escalada de militarização e dos ataques e invasões a vários povos do mundo, desde a Jugoslávia até, mais recentemente, ao Afeganistão, num ano em que Portugal mostra, mais uma vez, o seu apoio vergonhoso a esta estrutura, sendo anfitrião da Cimeira da NATO, em Novembro deste ano.


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