Capital deslocaliza actividade de refinação
Greve nas refinarias de França
Sector em colapso
Nove das 12 refinarias em França estão paralisadas por um amplo movimento de protesto contra o encerramento de unidades, que está a secar as reservas de combustíveis do país.
O movimento grevista iniciado no dia 17 nas seis refinarias da Total em França alastrou, na terça-feira, 23, a duas instalações da ExxonMobil, e anunciava-se para ontem, quarta-feira, a paralisação da unidade do grupo Ineos, em Lavera (Bouches-du-Rhône).
No princípio da semana, a penúria de combustíveis já afectava mais de uma centena de postos de abastecimento, longas filas de automobilistas formaram-se em vários pontos do país.
Na base do conflito está uma alegada crise na actividade de refinação. O patronato evoca perdas de 150 milhões de euros por mês desde Março de 2009, a redução da procura em 2,8 por cento no ano passado e de cerca de nove por cento nos últimos dez anos. O consumo também diminuiu nos EUA, que até aqui absorviam os excedentes europeus de gasolina.
De outro lado, lembrando que só o grupo Total realizou 14 mil milhões de lucros em 2008 e perto de oito mil milhões no ano passado, os sindicatos alertam que está em curso o encerramento da maioria das unidades em França e a sua deslocalização para outros países de modo a manter altas taxas de lucro.
Em causa está o futuro de todo sector que emprega várias dezenas de milhares de trabalhadores: «Queremos que os poderes públicos se pronunciem sobre o futuro da refinação em França», declarou Laurent Delaunay, delegado da CGT na ExxonMobil. «Tal como na Total em Dunquerque, a ExxonMobil está a fechar as suas unidades. O grupo está a transferir a refinação para Espanha, Portugal e Áustria. Temos todas as razões para estarmos preocupados.» (Le Monde.fr 22.02)
Outra prova de que os grupos petrolíferos se preparam para aumentar as importações e abandonar a refinação a curto ou médio prazo é a construção de novos depósitos no terminal petrolífero de Fos-sur-Mer (perto de Marselha).
Os sindicatos e os trabalhadores vão continuar a luta exigindo um debate nacional sobre a reconversão do sector que garanta a independência energética da França e assegure a manutenção dos postos de trabalho.


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