Atrasos I

Um livro publicado esta semana pelo Laboratório das Desigualdades avança dados tenebrosos. Por exemplo, Portugal é dos países mais assimétricos da Europa na distribuição de rendimentos, onde os 20% mais ricos ganham 6,1 vezes mais do que os 20% mais pobres. Em 2007, no conjunto dos 27 países da UE, só a Letónia era pior do que Portugal e ao nosso nível estavam a Roménia e a Bulgária. Os baixos salários são apontados como a razão central destas disparidades, onde surge um exemplo esmagador: 12% da população activa – ou seja, mais de 500 mil trabalhadores – estão em risco de pobreza e não ganham o suficiente para dar condições adequadas de sobrevivência à família.

Aqui está, na violência dos factos e dos números, ao que conduziu a recuperação capitalista conduzida nos últimos 30 anos por PS e PSD, enquanto se assenhoreavam do regime e dos seus mecanismos.

 

Atrasos II

 

A desqualificação quase generalizada da população portuguesa é outro dado relevante, destacado no supracitado livro Desigualdades Sociais 2010 – Estudos e Indicadores. Em 2008, apenas 28,2% da população com idade entre 25 e 64 anos tinha concluído pelo menos o secundário (só Malta tinha um valor mais baixo), enquanto o abandono escolar precoce bate todos os recordes: 35,8% em 2008, contra 14,9% da média europeia. Acrescenta-se a isto as baixas qualificações generalizadas, que chega ao ponto de, em média, os trabalhadores portugueses serem mais qualificados que os seus empregadores.

Finalmente, os autores do estudo admitem que o desemprego é, actualmente, a «questão central» que Portugal enfrenta, alertando que há o «sério risco» de contribuir para uma sociedade ainda mais desigual e agravar os problemas estruturais do País.

Perante esta perspectiva catastrófica, o Governo de Sócrates, de conluio com o PSD, impuseram um «PEC» miserável que corta salários, pensões e investimento público, exactamente o caminho mais curto para o desastre anunciado.

E note-se que já não são apenas os comunistas a denunciá-lo – agora é um organismo científico a afirmá-lo, com o peso e a consistência dos números e do estudo comparado.

 

Adjudicações

 

Segundo uma auditoria do Tribunal de Contas (TC), as entidades do sector empresarial do Estado, em 2007 (ano auditado), adjudicaram por ajuste directo 70% dos trabalhos externos contratados com entidades privadas. O TC sublinha este pormenor: segundo a lei, o ajuste directo é uma excepção devidamente tipificada, que este comportamento das instituições públicas tornou em regra! Esta auditoria permitiu ainda verificar que as «empresas tuteladas pelo Ministério das Obras Públicas Transportes e Comunicações são as que adjudicaram mais serviços externos de consultadoria, representando quase 40% do total, cerca de 39 milhões de euros». Note-se que falamos de «consultadoria», ou seja pareceres técnicos que, na generalidade, podem ser obtidos nos próprios e múltiplos serviços de que o Estado dispõe.

Entretanto, o Governo de Sócrates quer pôr a população e o País a pão e água para «diminuir o défice»...



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