Organizar a resistência

Com as manifestações de dia 1 de Outubro no horizonte, as células e organizações do Partido multiplicam as acções de esclarecimento e mobilização. No complexo fabril da Portucel, em Setúbal, a célula do PCP garante que «só a luta organizada pode fazer frente à política de direita, travar o agravamento da exploração, defender e afirmar direitos», apelando à participação de todos os trabalhadores do complexo na manifestação de sábado em Lisboa.

Rejeitando a ideia de que os sacrifícios são para todos, a célula do Partido realça que também na Portucel os lucros aumentam, tal como a exploração. Os resultados obtidos no primeiro semestre do ano «não deixam margem para dúvidas»: a Portucel obteve um lucro de 97,6 milhões de euros, mais 8 por cento relativamente a igual período do ano passado. Estes resultados, realça o PCP, «estão marcados negativamente pelo aumento da exploração dos trabalhadores das empresas do grupo e pela precariedade e baixos salários das empresas prestadoras de serviços». Os comunistas acusam ainda a Portucel de penalizar os trabalhadores que pertencem a estruturas sindicais ou à Comissão de Trabalhadores, bem como os que aderem às greves.

Num comunicado dirigido aos trabalhadores, a célula do PCP na Sotancro considera que as «medidas criminosas» do Governo «devem merecer da parte dos trabalhadores e do povo em geral um total repúdio e uma forte contestação». Exortando todos os trabalhadores da empresa a dar o seu contributo ao «prosseguimento, ampliação e intensificação da luta», a célula realça que esta será tão mais forte quando mais «ampla e sólida for a convergência na exigência da rejeição do pacto das troikas.

Também a Organização dos Trabalhadores Comunista no Sector da Vigilância de Lisboa, no seu boletim de Setembro e Outubro, considera que «urge protestar», pois «quem cala consente», apelando à participação na manifestação. «É preciso fazer frente a este poder antes que seja tarde de mais.»

Em Santa Maria da Feira, os comunistas estão igualmente a apelar à resistência contra o programa das troikas, em diversas acções realizadas junto a importantes unidades industriais e em feiras e mercados que ali se realizam. Das muitas conversas e contactos realizados, os comunistas de Santa Maria da Feira destacam o «sentimento generalizado de indignação e revolta» verificado.



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