De táxi

Filipe Menezes, esse homem fatal (como diria o Eça), decidiu mais uma coisa poderosa no concelho de Gaia: pôr todos os seus vereadores a andar de táxi. E explicou porquê: «não podemos permitir que haja alguns privilegiados que ficam de fora dos sacrifícios».

Tirando o português algo macarrónico, o nosso ilustre pediatra que comanda Gaia evidencia, nesta decisão, duas apreciáveis extravagâncias.

A primeira, é que os seus vereadores são uns «privilegiados» por disporem de um carro de serviço para o exercício das suas múltiplas e variadas funções.

A segunda, é que andar de táxi, e de graça (pois será a autarquia a pagar, obviamente), passou, em Gaia, à categoria de «sacrifício».

Convirá perguntar a este robusto líder se praticará o mesmo sacrifício que impôs aos seus veradores, arrumando na garagem o seu presidencial carro.

Se o não fizer, obviamente passará à categoria de «alguns privilegiados», auto-encarcerando-se na sub-categoria «dos que ficam de fora» (matéria, aliás, em que tem conhecida prática).

Finalmente, ninguém alertou o dr. Meneses para o ridículo da coisa e, sobretudo, para a monumental gargalhada que iria proporcionar ao País?

Pelos vistos, não só não aprendeu nada com o ridículo de Passos Coelho a «andar de turística» para fingir que «poupava»... como até o imita. Estão bem um para o outro.

 

Desacordos I

 

Goraram-se mais uma vez as expectativas dos que esperavam um acordo que, finalmente, resolvesse a famosa «crise da dívida» na União Europeia.

Como sempre, os dois «predadores de topo» deste atribulado consórcio capitalista montado na velha Europa (a Alemanha e a França, evidentemente) discordaram pela 47.ª vez (ou seria 48.ª vez?) em ceder um cêntimo que fosse do que consideram «os seus bolsos» (ou, melhor dizendo, os bolsos dos seus capitalistas especuladores) para «resolver a crise».

Isto porque o euro que impuseram à pressa, numa União Europeia também montada a mata-cavalos, servia, num primeiro momento, à Alemanha, para que toda a Europa capitalista «pagasse» a sua anexação da RDA e, num segundo momento, à Alemanha e à França para ambas, jogando no euro como «moeda forte», recolherem, às braçadas, os lucros colossais da transacção da «sua moeda forte» com todos os pobres e aflitos do planeta, a começar com os tais «periféricos» da própria União Europeia, os denegridos PIGS («porcos», em inglês), ou seja Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha (Spain, em inglês).

 

Desacordos II

 

Depois veio o cataclismo da especulação imobiliária e quejandos, formando «bolhas» tão gigantescas que, ao rebentarem, abalaram o próprio sistema.

Para sobreviver, deveriam mudar alguma coisa para que tudo ficasse na mesma (como dizia Lampedusa), mas nem isso. Os grandes responsáveis desta crise continuam repimpados nos seus tronos especulativos, aproveitando para espremer mais povos inteiros, numa corrida suicidária para o desastre.



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