• João Frazão

Sim. Com paredes de vidro

Durante o XIX Congresso do Partido assaltou-me esta ideia que, à medida que se iam sucedendo as intervenções que preencheram aqueles três dias de trabalho, se consolidou. Ali estava um Partido com paredes de vidro.

Quem pretenda saber o que somos, como nos organizamos, que métodos de trabalho usamos, que avanços conseguimos nos últimos anos, que dificuldades temos, não precisaria mais do que estar atento ao que se passou e se disse no Congresso

Quem queira saber o que defende o PCP, quais os seus objectivos, o que propõe ao povo, quais as batalhas em que está empenhado, o que pensa sobre os problemas nacionais, qual o caminho que escolheu e com que grau de comprometimento está disposto a trilhá-lo, bastará ir agora consultar os registos que estão disponíveis.

Quem deseje entender as razões da nossa luta, as motivações da nossa militância, que não são mais, afinal, do que o sentir, o pulsar dos trabalhadores e do povo, tinha ali uma janela aberta, escancarada para o povo português.

Sim, um Partido transparente, que se mostra completamente nú, sem adornos, truques ou maquilhagem. Que não esconde, nem se esconde. Que diz com frontalidade ao que vem.

Os principais comentadores, os editoriais dos jornais, os pcpólogos ao serviço dos nossos inimigos de classe olham para o Congresso do PCP e, face ao seu extraordinário êxito, vão buscar ao baú das velharias do anticomunismo argumentos que vomitam a partir dos espaços nobres de jornais, rádios e televisões.

Da ideia peregrina do «Partido que procura a sobrevivência», à tese do «Partido previsível», à lógica palerma do «Partido dos funcionários», disseram o que se esperava.

Parafraseando uma das comentadoras* – que semanalmente tem espaço sem contraditório na televisão pública portuguesa –, tais notícias e comentários podiam ter sido feitos há 20 anos. Não leram o que escrevemos, não ouviram que dissemos, não quiseram saber do ambiente que se lá viveu.

O que tinham a dizer está escrito desde sempre. Não é mais do que ódio e preconceito. Que é tão mais profundo quanto mais transparente, verdadeiro e reforçado se apresente o nosso Partido.

*Mª João Avilez, que afirmou que o Congresso podia ter sido realizado há 17 anos.



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