A resistência e a luta são fundamentais à conquista de direitos
Resistência e luta nos locais de trabalho
Fazer frente à repressão

São muitos os trabalhadores que, com o apoio das suas organizações representativas, mantêm acesa a luta pelos direitos. Da mesma forma, é visível a resistência nos locais de trabalho a situações repressivas de diversa índole.

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Centenas de trabalhadores da Bosch participaram, dia 3, num plenário junto às instalações da empresa em Braga, cumprindo um pré-aviso de greve que se mantém até ao final do mês. Os trabalhadores, apoiados pelas suas organizações representativas, mostraram-se firmes face às pressões das chefias no sentido de condicionar a realização do plenário e estão dispostos a lutar pelo caderno reivindicativo que apresentaram à administração em Fevereiro, sem terem obtido uma resposta. Solidária com os trabalhadores e apoiando as suas reivindicações, uma delegação do PCP esteve no plenário, assim como o secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, que criticou a política assente na exploração e no empobrecimento, valorizou a luta dos trabalhadores e recordou que a multinacional está em condições de pagar mais um euro por dia a cada um.

A Comissão de Trabalhadores informou que adesão à greve na Restflight, empresa de serviços de catering para aeronaves, nos dias 3, 4 e 5, rondou os 80 por cento. A luta teve como objectivos o aumento dos salários – não revistos há sete anos –, o fim das discriminações salariais, o cumprimento do acordo de empresa, bem como a denúncia de situações de assédio moral existentes na empresa, revelou o Sindicato da Hotelaria do Sul.

Com uma adesão de 98 por cento, terminou no dia 2 a greve iniciada a 2 de Abril pelo Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa (RSB) aos serviços de prevenção em recintos de espectáculos, revelou o Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML/CGTP-IN). Em 2011, o RSB passou a fazer serviços de prevenção em casas de espectáculos sob gestão da EGEAC e em eventos apoiados pela Câmara de Lisboa – mas, devido à escassez de efectivos, isso implica «desguarnecer mais o socorro», disse à Lusa o dirigente sindical António Pascoal, acrescentando que faltam viaturas e defendendo a necessidade de «libertar a progressão na carreira e contratar efectivos».

Sem terem sido despedidos ou recebido uma informação da entidade patronal, 30 trabalhadores dos restaurantes Clube House e Argento e da empresa de aluguer de casas Interentals, no empreendimento Praia D'El Rey Marriott Golf & Beach Resort, em Óbidos, foram impedidos, dia 2, de aceder aos locais de trabalho, depois de a administração de insolvência da empresa Béltico ter encerrado os espaços. Considerando o procedimento ilegal, o Sindicato da Hotelaria pediu a intervenção da Autoridade para as Condições do Trabalho, que se reuniu com representantes das empresas encerradas e com os trabalhadores, que, no final, «foram aconselhados a comparecer nos respectivos postos de trabalho». O sindicato teme que estejam em risco mais postos de trabalho, uma vez que foram «mudadas as fechaduras de 60 casas», impedindo as empresas de limpeza e manutenção de fazerem o serviço, e suspeita que «tencionem substitui-las por empresas de trabalho temporário».

Espreitar as lancheiras dos trabalhadores à entrada do trabalho é uma medida de prevenção incluída no novo regulamento de alcoolemia criado pela administração da Selenis e da Evertis, no Pólo Industrial Quinta de São Vicente, em Portalegre. Indignados, os trabalhadores lançaram um abaixo-assinado, informou o SITE Sul, no qual repudiam a medida e se opõem à sua aplicação, relembrando que o consumo ou a dependência do álcool em meio laboral é sobretudo um problema de saúde e que, como tal, só pode ser abordado no âmbito das políticas de prevenção dos riscos profissionais e dos programas de promoção da saúde no trabalho, afastando assim a possibilidade de criação de polícias de fiscalização das lancheiras. No documento, os trabalhadores mostram-se sensibilizados para a questão do excesso de consumo de álcool, mas não aceitam que tal se faça violando as disposições legalmente estabelecidas, e lembram que os órgãos representativos dos trabalhadores nem sequer foram consultados quando da elaboração do regulamento.

A partir de 1 de Agosto, por opção da NOS, a empresa RHmais deve assumir os serviços actualmente a cargo da Randstad no Centro de Atendimento da NOS no Campo 24 de Agosto, no Porto, informa o Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (SINTTAV/CGTP-IN), temendo que os trabalhadores ligados à Randstad venham a ser despedidos. Entretanto, estes já estão a ser assediados pela RHmais, revela o sindicato, por forma a aceitarem condições contratuais piores do que as que têm neste momento e, assim, «salvarem» o posto de trabalho. O SINTTAV, que alerta os trabalhadores para uma série de situações, aconselha-os a não cederem e mostra-se disponível para os ajudar, esclarecer e apoiar.




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