• Margarida Botelho

Hora a hora

A Comissão Europeia anunciou na semana passada que iria propor o fim da mudança da hora em todos os países da União Europeia. Invocam uma consulta pública online e interesses «do mercado interno».

Tanto empenho em cumprir o resultado da consulta pública (a quem? Divulgada onde?) não deixa de ter uma certa graça vinda de uma instituição que se especializou em obrigar a repetir referendos até que os povos acertem na resposta.

Sobre os «interesses do mercado interno» também já estamos vacinados sobre onde é que a história vai acabar. Tem sido em seu nome que direitos e conquistas dos povos da União Europeia são atacados e roubados, que as políticas que interessam ao capital são impostas.

Decretar uma hora igual para todos os países da União Europeia é só mais um exemplo do inaceitável federalismo reinante. Todos os Estados, Portugal incluído, têm o direito de fixar a hora que entendam mais adequada à sua posição geográfica, ao seu clima, à sua cultura. Têm o direito (e o dever) de equacionar questões como os impactos no consumo energético, os horários praticados nas escolas, as infra-estruturas existentes, as suas necessidades colectivas, no fundo.

Há muitos – demasiados – exemplos de como os interesses da União Europeia são incompatíveis com os interesses nacionais. Como o direito de Portugal e dos portugueses ao desenvolvimento, ao progresso e à soberania. Este até poderá ser um exemplo que alguns considerem miudinho. Mas a arrogância que revela e o cinismo que utiliza merece ser denunciado.




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