A alienação de património serve apenas para aumentar dividendos
Para parar o crime nos CTT será tarde em 2020

URGENTE «Agora é o tempo de agir em defesa do serviço público e dos CTT», apelou João Ferreira, em Lisboa, no local onde a administração privada encerrou uma estação e um centro de distribuição.

Acompanhado por dirigentes e militantes do PCP e outros activistas da CDU, entre os quais eleitos em órgãos autárquicos e dirigentes sindicais que trabalham nos CTT, o primeiro candidato na lista da CDU para a eleição do Parlamento Europeu, esteve no dia 6, quarta-feira, junto ao número 238 da Rua da Palma, onde funciona, até 18 de Janeiro do ano passado, a estação de Correios do Socorro e um Centro de Distribuição Postal.

João Ferreira, numa declaração intitulada «Renacionalização dos CTT: é tempo de passar das palavras aos actos», lembrou que no dia 20 será discutido na AR um projecto de lei do PCP para retomar o controlo público dos CTT e defendeu que «é preciso que o PS deixe de piscar o olho aos utentes, ao mesmo tempo que permite que a administração continue os seus desmandos».

A privatização dos CTT foi «um crime cometido em Portugal por PS, PSD e CDS, os mesmos que, em Bruxelas, votaram as Directivas Postais, que apontavam para a liberalização do sector, ou seja, para a destruição das empresas públicas de países como Portugal, para o progressivo domínio do sector por multinacionais e para um incremento da exploração dos trabalhadores».

Hoje, a situação «é de tal forma grave» que se erguem vozes contra a privatização, até no seio do PS, «que aqui tenta ser simultaneamente Governo e oposição, e já insinua, sem se comprometer, poder vir a resolver depois das eleições aquilo que recusa resolver agora».

Para o PCP e a CDU, «é falso o argumento do Governo de que o tempo de intervir é depois do fim da concessão do serviço postal aos CTT». «Nessa altura, em 2020, já será tarde», porque «os accionistas dos CTT já terão destruído de tal forma a base material do serviço público postal, que o Estado, para o reconstruir, terá de investir centenas de milhões de euros».

Milhões para accionistas

João Ferreira salientou que as instalações na Rua da Palma «foram vendidas há três meses por 10 milhões de euros, gerando uma mais-valia de 8,5 milhões de euros que foram, por sua vez, distribuídos em dividendos aos accionistas dos CTT».

A estação dos CTT foi encerrada, tal como «umas centenas» desde que os Correios foram colocados no rumo da privatização, e 78 delas durante 2018. Estão já 38 municípios sem qualquer estação dos Correios e rapidamente deverão ser 45, num «movimento que está a contribuir para a desertificação do País, mas que não é exclusivo das regiões do Interior, pois mesmo na Área Metropolitana de Lisboa se sucedem os encerramentos ou ameaças de encerramento de estações que são já as únicas dos respectivos municípios».

Também o Centro de Distribuição Postal «foi encerrado, como estão a ser encerrados dezenas deles», «para que o património possa ser vendido» e para «continuar a reduzir trabalhadores, a alargar os giros postais, a intensificar a carga de trabalho, com as consequências conhecidas: o correio está hoje mais lento e menos fiável que há 20 anos».




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