Percurso do MJT retratado em livro

EVOCAÇÃO «MJT e a luta dos jovens trabalhadores – Fios de Memórias» é o título do livro lançado pela URAP no sábado, 9, na Voz do Operário, onde se recordou a acção da estrutura juvenil que existiu entre 1969 e 1975.

Duas centenas de pessoas deram corpo à iniciativa, que foi sobretudo uma emocionante homenagem a todos quantos participaram no Movimento da Juventude Trabalhadora (MJT). A apresentação do livro, à venda no local, deu o mote para a sessão, que ficou também marcada pela inauguração de uma exposição de 12 painéis que, tal como o livro, recorda as grandes linhas da acção do movimento e as principais iniciativas, recorrendo a imagens e documentos da época.

Na sessão, apresentada por Palmira Leal, que integrou o MJT, falaram a coordenadora da URAP, Marília Villaverde Cabral, e José Pedro Soares, dirigente da URAP, ex-preso político e activista do MJT. Numa intervenção muito emotiva, que tocou fundo os presentes (grande parte dos quais foram activistas do Movimento da Juventude Trabalhadora), José Pedro Soares lançou um olhar retrospectivo sobre o percurso do MJT e o papel que desempenhou na construção da unidade contra o fascismo e pela construção do Portugal democrático.

Já Marília Villaverde Cabral destacou a edição do livro e todo o processo que o possibilitou e valorizou outras iniciativas que visam preservar a memória da resistência ao fascismo. Em seguida, realçou que a URAP não é apenas para os que «resistiram durante o fascismo», mas para «todos os antifascistas, todos os que lutaram e os que lutam hoje para que o fascismo não volte mais à nossa terra». Em tempos marcados pelo ressurgimento, na Europa e um pouco por todo o mundo, de forças de extrema-direita e fascistas, a coordenadora da URAP garantiu que «também há muita força, muita vontade dos que amam a liberdade e querem o bem para os seus povos».

Depois das intervenções e antes do lanche houve ainda espaço para a cultura, com a poesia pela voz de Domingos Lobo e Manuel Diogo e a música de Pedro Salvador e Tiago Santos. O resultado foi um ambiente fraterno, em que se recordou combates e lutas passadas e se reafirmou o compromisso com causas e valores perenes.

Lutar vale a pena

O livro, tal como a exposição, destaca o percurso do Movimento da Juventude Trabalhadora: o enquadramento político e social da época, as formas de organização, as reivindicações, as campanhas, iniciativas e lutas por ele dinamizadas. Todos estes assuntos foram sublinhados por José Pedro Soares, a quem coube apresentar a obra.

O MJT gozava de uma considerável influência em praticamente todos os distritos do País e tinha núcleos em fábricas, campos e escolas. Combinava reivindicações específicas dos jovens trabalhadores com questões mais gerais: do direito de voto aos 18 anos ao fim da guerra colonial; da exigência de direitos sindicais à libertação dos presos políticos; pelo reingresso na empresa após cumprimento do serviço militar à solidariedade com o Vietname e o Chile; pela valorização dos salários à valorização cultural e desportiva.

A actualidade destas causas levou Palmira Leal a afirmar que o livro «MJT e a luta dos jovens trabalhadores – Fios de Memórias» não é um «documento de saudade, é um documento que mostra que vale sempre a pena lutar».




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