A jornada de dia 8 evidenciou a necessidade de dar mais força à CDU
PCP nas ruas do País a afirmar que «avançar é preciso»

AFIRMAÇÃO A jornada de afirmação do PCP que teve lugar na sexta-feira, 8, em todo o País levou a milhares de pessoas as propostas dos comunistas e seus aliados para Portugal e para a Europa e a convicção de que é possível ir mais longe na defesa, reposição e conquista de direitos.

A jornada incidiu em empresas e locais de trabalho, serviços públicos, terminais de transporte e outros pontos de grande concentração popular, como grandes superfícies comerciais, mercados, praças e ruas de todo o País. O resultado foi o contacto com muitos milhares de pessoas, esclarecendo-as acerca da actual situação do País – com as suas potencialidades e limitações – e dos eixos fundamentais da alternativa patriótica e de esquerda que o PCP propõe e corporiza.

Esta grande acção de massas foi suportada no folheto «Andar para trás não. Avançar é preciso!». Nesse documento destaca-se que «com a intervenção decisiva do PCP e a luta dos trabalhadores foi possível alcançar avanços, defender, repor e conquistar direitos». Ao mesmo tempo que, acrescenta-se, as «opções do Governo do PS, convergentes em matérias essenciais com as de PSD e CDS, impediram uma resposta plena aos problemas que o País e o povo enfrentam».

Os tempos mais próximos, com duas importantes eleições nacionais (para o Parlamento Europeu, em Maio, e Assembleia da República, em Outubro) e as regionais na Madeira, serão de «escolhas decisivas – ou avançar na solução dos problemas nacionais ou andar para trás», lê-se ainda na capa do folheto. Que conclui que «é com o reforço do PCP e da CDU, e só com este reforço, que será possível pôr o País a avançar e a vida dos trabalhadores e do povo a melhorar».

Avanços positivos

mas insuficientes

No interior do documento distribuído no dia 8 recorda-se muito do que foi possível avançar nestes anos com a intervenção do PCP e a luta dos trabalhadores. Foram avanços «limitados e curtos para a dimensão dos problemas, é certo», mas que não se podem desvalorizar, pelo que significam em si mesmos e, sobretudo, «porque mostram que o caminho de futuro para o País não pode ser feito sobre a exploração, o empobrecimento, a liquidação de direitos, a redução de salários ou reformas».

Entre os avanços alcançados, o folheto destaca, entre outros: reposição de feriados, dos montantes roubados nos salários e reformas, do subsídio de Natal por inteiro e do valor do trabalho extraordinário na Administração Pública; devolução da sobretaxa do IRS; aumento extraordinário das reformas em três anos consecutivos, do salário mínimo nacional, ainda que aquém do possível e necessário, e do do abono de família; a gratuitidade dos manuais escolares nos 12 anos da escolaridade obrigatória; alívio nos impostos sobre os trabalhadores; eliminação do corte no subsídio de desemprego e do Pagamento Especial por Conta para pequenas e médias empresas; redução do custo dos passes sociais, da electricidade, das taxas moderadoras e do IVA dos espectáculos culturais.

«É necessário ir mais longe? Sim!», garante o PCP, realçando que tal só não ocorreu porque o PS «mantém a sua opção de compromisso com os interesses do grande patronato e de submissão à União Europeia» e porque «PS, PSD e CDS convergem em matérias decisivas». O PCP adianta, no folheto, as linhas gerais da sua política alternativa (ver caixa).

PCP e CDU para romper

com o atraso e a submissão

A denúncia da natureza e objectivos da UE e do euro e das suas consequências para o País e as propostas do PCP e da CDU para as eleições de 26 de Maio, para o Parlamento Europeu, ocupam toda a contra-capa do folheto que esteve em distribuição na sexta-feira, 8. Aí recorda-se que «décadas de comprometimento e de abdicação nacional perante a União Europeia e suas políticas – levadas a cabo por PS, PSD e CDS – são responsáveis por um País desigual, empobrecido, dependente».

Os ataques a salários, direitos e serviços públicos, a entrega de empresas e recursos nacionais aos grupos económicos e financeiros, a crescente dependência aos mais variados níveis (alimentar, energética, produtiva, tecnológica» e uma das maiores dívidas externas do mundo são disto exemplos flagrantes.

Um maior apoio ao PCP e à CDU nas eleições será o «maior contributo que o povo português pode dar para abrir caminho a uma Europa de cooperação entre Estados soberanos e iguais em direitos, de progresso social e de paz». São os comunistas e seus aliados, e só eles, que afirmam a soberania e independência nacionais, que se batem pela libertação das amarras que impedem o desenvolvimento do País e para que se enfrente os condicionamentos da UE e seus instrumentos de domínio. E que defendem a recuperação da soberania monetária, com a libertação da submissão ao euro, e a renegociação da dívida.

Ir mais longe!

As eleições deste ano constituem uma oportunidade para romper com a política que «acumulou problemas e que impede ainda hoje a sua solução», lê-se no folheto do PCP, onde se adianta propostas fundamentais para a mudança que se exige:

  • valorização dos trabalhadores, dos seus salários e direitos;

  • valorização das pensões e reformas;

  • defesa da Segurança Social pública e universal;

  • mais financiamento dos serviços públicos e valorização dos seus trabalhadores;

  • reforço do Serviço Nacional de Saúde;

  • investimento na Educação e na Cultura;

  • mais e melhor transporte público;

  • aumento da produção nacional;

  • apoio à agricultura familiar e ao mundo rural;

  • recuperação do controlo público de empresas estratégicas (CTT, EDP, Galp, Aeroportos, etc.) e do sector financeiro;

  • apoio às pequenas e médias empresas;

  • mais justiça fiscal;

  • taxar o grande capital, combater a corrupção.

Para além de realçar que a luta dos trabalhadores é o «factor decisivo de progresso e avanço» e de adiantar algumas propostas do PCP relacionadas com direitos laborais, no folheto destaca-se ainda a ideia central de que os grandes problemas do País só terão solução com «outra política e outro governo». Para os concretizar é fundamental «o reforço do PCP e da CDU, a luta dos trabalhadores e do povo e a convergência de forças e vontades dos que aspiram a um Portugal com futuro».



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