Efeitos da seca podem ser minimizados

A Direção Regional do Alentejo do PCP lançou na última semana um comunicado referente às sucessivas situações de seca que a região alentejana tem vivido ao longo das últimas décadas. Aí lembra que estas situações não só se repetem ano após ano como se têm vindo a agravar. As políticas, ou a ausência das mesmas, de governos de PS, PSD e CDS-PP têm piorado a situação, garante.

Para os comunistas, a não concretização dos investimentos e medidas previstos para dar resposta aos efeitos da seca e aumentar a capacidade de armazenamento de água necessária, aliada à aposta numa agricultura caracterizada pela intensificação do uso da água e da terra (como é o caso da plantação intensiva da vinha e do olival em certas zonas) têm agravado a já sensível situação. Assim, o PCP defende não apenas a adopção de medidas de carácter excepcional que a actual situação exige, mas também a implementação de medidas estruturais que prevejam necessidades futuras e evitem as secas repetitivas no Alentejo.

Proposta central há muito defendida pelo Partido é a elaboração de um plano adaptado às condições climáticas que hierarquize o uso da água em função das secas, combine usos subterrâneos e superficiais numa lógica de complementaridade, privilegie o uso humano, a saúde pública e a pequena e média agricultura, e salvaguarde os rendimentos dos trabalhadores. A elaboração desse plano tem, necessariamente, de se basear nas infra-estruturas construídas na rede hidráulica local, no seu melhoramento e rentabilidade de utilização. Também urge a necessidade de avançar na construção de barragens e outras estruturas, diversas vezes anunciadas –como são os casos da Barragem do Pisão e da ligação entre o Alqueva e o Monte da Rocha –, que aumentariam a capacidade hidrográfica da zona.

O PCP lembra ainda que qualquer plano elaborado para a resolução do problema da seca deverá ter em atenção a necessidade de salvaguardar o meio ambiente, a paisagem natural e as populações.

Este plano não foi a única proposta lançada pelo PCP para resolver o problema da seca crónica no Alentejo e minimizar as suas consequências para a região e sua população. Pelo contrário, é uma de muitas medidas defendidas pelos comunistas ao longo dos anos, muitas das quais mantêm, ainda hoje, uma flagrante (e crescente) actualidade.

São os casos, entre outras, da promoção, junto dos agricultores, da produção e plantação de espécies tradicionais e locais, melhor adaptadas às condições existentes; do estabelecimento de critérios de racionalização e utilização da água em períodos de seca, focando-se especificamente na actividade agrícola em regime de sequeiro; da criação de sistemas de gestão hídrica, de maneira a lidar de forma mais eficaz com a carência de água; e ainda da revisão dos sistemas de distribuição de água em perímetros de rega, de forma a eliminar perdas e desperdícios.

 



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