• Gustavo Carneiro

Uma Festa única ano após ano

À 43.ª edição, a Festa do Avante! continua a ser como a caracterizou Álvaro Cunhal em 1976: «a maior, a mais extraordinária, a mais entusiástica, a mais fraternal e humana, realizada no nosso País.» E, se assim é, é devido à forma – militante, dedicada, abnegada – como é construída e mantida a funcionar, aos valores humanistas e revolucionários que exalta e concretiza, ao seu carácter popular, à alegria presente em cada recanto e iniciativa, à cultura que assume na sua expressão mais lata e profunda.

O facto de a Festa ser como é desde há mais de quatro décadas, e ano após ano, não pode deixar de nos surpreender e arrebatar: ela é única, ímpar e inigualável, em Portugal e não só. E sendo assim há tantos anos, cada edição é sempre diferente, pois são novos muitos dos que a constroem e visitam, diferentes os artistas e grupos que nela actuam, diverso o contexto nacional e internacional em que se realiza.

É precisamente este o segredo da Festa: renovar-se a cada ano, mantendo e até ampliando aquelas que são as suas características fundamentais e distintivas, que nos levam a afirmar convicta e seguramente que não há Festa como esta!.

Na edição de 2019, como procuraremos contar nas páginas seguintes (conscientes de que nada substitui a vivência daqueles três dias), estiveram em destaque as eleições legislativas de 6 de Outubro, os avanços conquistados nos últimos anos e o papel que neles tiveram o PCP e a CDU, os 45 anos da Revolução de Abril, a luta pela paz e a solidariedade com a luta dos povos que, num quadro internacional particularmente tenso e perigoso, resistem ao imperialismo. Foi também ano de bienal de artes plásticas, houve espectáculos memoráveis nos 10 palcos, milhares dançaram a Carvalhesa como se fosse simultaneamente a primeira e a última das suas vida,s e os dois grandes actos políticos, a Abertura e o Comício, foram vibrantes expressões de unidade e determinação.

Esta foi, ainda, a primeira Festa sem a presença física de um dos seus destacados construtores, Ruben de Carvalho, recentemente falecido. Fica a memória, a obra e as suas palavras sobre a Festa à qual tanto deu, que surgiram no grande ecrã no Palco 25 de Abril durante o concerto sinfónico de sexta-feira: «Uma Festa que a nada obriga além do humano e torna familiar tudo o que de humano há. Onde se come, se fala, se ri, se compra, se passeia, se vê, se ouve, se encontra, se descobre que a felicidade é, de facto, possível.» E não é que é mesmo?



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