Campo de batalha
A ligeireza e irresponsabilidade com que Luís Montenegro declarou que Portugal «também está em guerra» só se compreende pela infinita vontade de amarrar o País às imposições de Trump, da NATO e da UE. Fê-lo esta última semana, numa iniciativa promovida e projectada pela SIC, em colaboração com uma multinacional norte-americana da indústria do armamento, daquelas que movimentam biliões de euros pagos pelos povos (Estados), à custa da morte e do sofrimento alheio. Nesse mesmo dia, o primeiro-ministro também recebeu uma carta do Secretário-Geral do PS em que este se ofereceu e ao seu partido para um «acordo de longo prazo» em «matéria de defesa» que o mesmo é dizer, em matéria da corrida aos armamentos. Já antes André Ventura assegurava, tal como já tinham feito os dirigentes da IL, que o Governo «terá no Chega um suporte para garantir… que chegaremos à meta de 3,5% do PIB, e mais tarde à meta dos 5%, pedida pela NATO».
Tudo isto é muito triste mas é, sobretudo, preocupante! A intensificação do discurso e das opções belicistas, que crescem de braço dado com o que de mais reaccionário e fascizante anda por aí, são hoje uma ameaça real para o nosso povo e para o País. Fazendo da mentira a calçadeira para a corrida aos armamentos, tentam convencer os povos das vantagens económicas (imagine-se!) de tão sinistra aventura. Os mesmos que nada fizeram, pelo contrário, para impedir a degradação dos serviços públicos, que invocaram “regras” da UE para conter a despesa e agradar aos “mercados”, garantem agora que essa opção “não vai pôr em causa o Estado Social”. E os noticiários e jornais encarregam-se diariamente de nos explicar que temos de nos armar até aos dentes, seja pela voz dos chamados especialistas e comentadores, seja por protagonistas do calibre de Von Der Leyen, Macron, ou Mark Rutte, que desde o início usam a guerra na Ucrânia, que alimentam, como justificação para os seus objectivos. Chamam a tudo isto uma oportunidade que não pode ser desperdiçada, fazendo crer que os mortos e vítimas desta loucura que se vai instalando são sempre os outros, que estão lá longe, como na Palestina...
Cada vez mais o campo da alternativa política de que Portugal tanto precisa define-se pela recusa do consenso neoliberal, militarista e reaccionário e pela afirmação dos direitos dos trabalhadores e do povo, da soberania e da paz.




