UE insiste no militarismo e ignora problemas dos povos

O PCP denuncia que o Conselho Europeu (CE) continua a apostar no militarismo e na guerra, ignorando os problemas reais dos trabalhadores e dos povos e canalizando milhares de milhões para a indústria armamentista.

«Militarismo, confrontação e guerra»

Em comunicado do Gabinete de Imprensa do Deputado do PCP no Parlamento Europeu, João Oliveira, divulgado anteontem, 7, refere-se que a recente reunião informal do CE, realizada em Copenhaga, veio confirmar a opção da União Europeia (UE) por uma política de «militarismo, confrontação e guerra», e a sua aposta «no prolongamento do conflito que se trava na Ucrânia», que «usa como pretexto para fomentar a indústria militar e a escalada armamentista», em «detrimento da resolução dos problemas reais dos trabalhadores e dos povos que continuam a agravar-se».

Além das «contradições, divergências e dificuldades» – nomeadamente em torno do denominado «muro de drones», ao assalto aos activos russos ou à adesão da Ucrânia à UE – o Partido refere que «a generalidade dos países que integram a UE continuam a alinhar-se com a propaganda da guerra, acenando com falsas ameaças e instigando sentimentos de insegurança e medo, para impor brutais aumentos das despesas com os armamentos e a guerra, catapultando os lucros multimilionários do complexo militar-industrial – incluindo dos EUA –, ao mesmo tempo que anunciam a contenção dos salários e das pensões e ataques aos direitos laborais e a outros direitos sociais, aos sistemas públicos de saúde e de segurança social».

Milhões para a guerra
O comunicado destaca que a UE prevê gastar cerca de 150 mil milhões de euros para garantir que, até 2030, 5% dos PIB nacionais sejam destinados ao sector militar – montante que, segundo o PCP, em Portugal é praticamente «equivalente ao orçamento público para a Saúde, a Educação ou a Habitação».

«São milhares de milhões de euros que deveriam ser utilizados para construir casas e hospitais, recuperar escolas degradadas, contratar profissionais e desenvolver os sectores produtivos», sublinha o texto, criticando ainda António Costa e Ursula von der Leyen por «procurarem subterfúgios para contornar decisões por unanimidade», tal como sucedeu com o acordo UE-Mercosul.

Para os comunistas, «a prioridade não pode continuar a ser a instigação e o prolongamento da guerra, mas a promoção de medidas que visem alcançar a paz, a segurança colectiva e a cooperação na Europa, a defesa e o investimento no reforço dos serviços públicos e das funções sociais dos Estados, no aumento dos salários e pensões, na melhoria das condições de vida dos trabalhadores, no progresso social dos povos».

 



Mais artigos de: Europa

Comissão Europeia merece censura!

O PCP divulgou, em Estrasburgo, no dia 6, um comunicado intitulado «A Comissão Europeia merece censura! Pela sua cumplicidade com o genocídio na Palestina! Pelos grandes interesses económicos que a sua política serve! Pela escalada armamentista que promove!», que se publica na íntegra.

Autoridades da Geórgia exigem desculpas da União Europeia

A Geórgia exige desculpas da União Europeia (UE) pelo seu apoio ao que considera ter sido uma tentativa de derrube do governo georgiano, após a realização das eleições locais no sábado 4 de Outubro, declarou na segunda-feira, 6, o presidente do parlamento georgiano. O presidente do parlamento da Geórgia instou ainda os...

Crise económica e social em França

Agrava-se a crise económica e social em França em resultado das políticas neoliberais e belicistas que promovem a exploração e as desigualdades, concentram a riqueza e aumentam as despesas militares. O primeiro-ministro demitiu-se e os comunistas propõem a formação de um executivo que realize uma política de esquerda.

Nova coligação governamental em formação na República Checa

Na República Checa, o partido Acção de Cidadãos Insatisfeitos (ANO, na sigla em checo), dirigido por Andrej Babis, alcançou a maior votação nas eleições legislativas, realizadas nos dias 4 e 5, mas insuficiente para governar sem entendimentos com outras forças políticas checas. Cerca de oito milhões de eleitores...

O assalto às pensões e depósitos

Em finais de 2024, aquando da indigitação dos comissários, na carta de missão dirigida por Ursula Von Der Leyen à antiga ministra das finanças de Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque, uma das suas principiais missões era a da criação da chamada União das Poupanças e Investimentos (UPI). De acordo com a presidente da...