O circo

Manuel Gouveia

A cidade onde eu vivo vive hoje forrada de promessas vãs.

A candidata do partido que acaba de aumentar as propinas promete que basta votar nela e todos os estudantes da minha cidade deixarão de pagar propinas. E fica a dúvida: que mal terão feito os outros estudantes todos de Portugal para que o PSD/CDS os coloquem a pagar mais propinas para que os da minha cidade nada paguem?

Logo, a mesma candidata promete medicamentos gratuitos para todos os habitantes idosos da minha cidade. São 32 mil... eleitores. Mas a dúvida mantém-se... o partido da senhora é um dos pais da liberalização e privatização da saúde, porque raios só na minha cidade devemos ter direito a nada pagar?

Ao mesmo tempo esses cartazes transportam a solução milagrosa para os problemas mais sérios. Na minha cidade o PSD vai construir 2500 casas, no concelho ao lado, é o PS que promete 10 mil. Nenhum dos dois explica onde está a pensar ir buscar os 1,9 mil milhões de euros para suportar essa despesa. Porque não estão a pensar construir uma única. Apenas licenciar as que o “mercado” quiser construir para serem vendidas no “mercado” a preços módicos, tipo as rendas de 2300 euros por mês de que fala Montenegro. Ainda que a promessa pareça outra.

E depois há uns tipos que prometem limpar a minha cidade. Mas não têm nada ar de quem alguma vez pegou numa vassoura ou sequer de saberem o que é um molok, o avançado sistema de recolha urbana que existe na minha cidade desde a gestão CDU.

Será que alguém acredita nisto, neste conjunto de promessas? Alguns, provavelmente. Que parecem mais pois são muitos aqueles que festejam os golos da “sua” equipa mesmo quando marcados com a mão. Outros alimentarão com elas a fogueira do “todos iguais”, cujo fumo tudo cega e esconde a mensagem política séria e consequente.

Aqueles que produzem toda a riqueza mas não têm dinheiro para pagar as propinas e os medicamentos, os que penhoram toda a vida para tentar ter uma habitação, o povo que vive e trabalha na minha cidade, precisa de fortalecer a sua unidade e construir um caminho de esperança e de futuro, incluindo uma organização política capaz de corporizar os seus interesses de classe. Essa organização é o PCP, a CDU a sua frente unitária e popular. O circo serve para afastar o povo dessa perspectiva.

 



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