Cavaquismo “827”
Desde que há uma década diminuiu a “chatice” de ter Cavaco no centro do poder de Estado - após vinte anos como primeiro-ministro e Presidente da República -, este será talvez o episódio 827 (ou serão mais?) em que os seus textos laudatórios sobre a sua excelsa personagem repetem “ipsis verbis” o mesmo discurso sobre o que propõe para Portugal e o Mundo. E o pior é que o “ajuste de contas com o 25 de Abril” - ideal da sua existência reaccionária - encaixou vezes de mais no revanchismo dos governos e das suas políticas.
Agora, veio repetir, para grande festa deste Governo, acólitos, escribas de serviço e media mais incondicionais, que este é o caminho “justo”, sem hesitações, com mais (contra)-reformas estruturais; ir mais fundo na mesma “firmeza” e “coragem reformista”, contra as “forças de bloqueio” (fantasma a que sempre recorre para unir os compadres), que não deixam o PSD governar. Não há alternativa, nem no PSD, nada de eleições antecipadas, aguentar a governação e o rumo das (contra)-reformas de destruição do que ainda resta das conquistas de Abril.
Mais três anos de “determinação” da AD, sem alianças com o CH – a que falta “coerência” e “preparação técnica” - sem Passos Coelho - esquecido - que ficam de fora, apesar da evidente proximidade nas propostas de todos no avanço do “reformismo”, isto é, das políticas mais reaccionárias. Cavaco só não explica como irá o Governo superar os factores internos da sua crise, judiciária e política.
“Por acaso”, o texto de Cavaco, enquadrado por “comentaristas”, saiu no Expresso em cima do Congresso do PS. Para dizer que ao PS “falta coragem” para as contra-”reformas necessárias” (quando o que lhe falta é coragem para uma política de facto alternativa!). Cavaco defende que o PS deve adaptar-se, ainda mais, à ideologia do Partido Social Democrata Dinamarquês (há anos aliado à direita”), e “acredita” que o PS acabará por ceder e acompanhar, “para benefício da democracia portuguesa (do capital financeiro) e do País”, o reformismo reaccionário deste Governo PSD.
Cavaco confia que “está escrito” que assim acabarão por avançar as contra-reformas do PSD. Mas, como noutros momentos da história recente, a luta dos trabalhadores e do povo intervirá para lhe travar o caminho. Por um Portugal com futuro.




