“Cuba não está só” não é lema, é realidade

Bloqueada e ameaçada pela principal potência imperialista, os EUA, Cuba resiste e soma apoios. É cada vez mais a ajuda que chega ao país, por intermédio de Estados ou do movimento de solidariedade, e cresce a rejeição à política norte-americana contra o povo cubano e a sua Revolução.

Movimento de solidariedade reforça acção de apoio político e material a Cuba

O repúdio pelo recrudescimento do bloqueio contra Cuba alarga-se à medida que são conhecidos os seus efeitos no dia-a-dia do povo cubano. Nas últimas semanas tiveram lugar em vários países manifestações de apoio a Cuba, pelo fim do bloqueio e das ameaças dos EUA, incluindo de agressão militar.

Na Bélgica, em frente à Embaixada dos EUA, foram muitos os sindicalistas, dirigentes de partidos políticos, activistas de movimentos de solidariedade e cubanos residentes na Bélgica que exigiram o fim imediato do bloqueio. Em Roma, uma manifestação sob o mote “Cuba não é uma ameaça” percorreu zonas históricas da cidade, terminando na Porta de São Paulo, símbolo da resistência italiana ao nazi-fascismo. Em Paris, uma das cidades francesas em que ocorreram acções, os manifestantes concentraram-se junto à Torre Eifel, numa jornada promovida por organizações das mais variadas áreas de intervenção social. Junto ao consulado dos EUA em Joanesburgo, na África do Sul, activistas do Partido Comunista Sul-africano, do Congresso Nacional Africano (ANC), da COSATU e de outras organizações integrantes do movimento de solidariedade, condenaram a política agressiva dos EUA contra Cuba e reafirmaram a solidariedade com o país caribenho.

Em Portugal, como o Avante! noticiou na semana passada, tiveram lugar duas grandes iniciativas em Lisboa: a Conferência «Cuba, a Revolução e o Mundo», no âmbito das comemorações do centenário de Fidel Castro, que este ano se assinala, e um Concerto de solidariedade, intitulado, «Todos por Cuba!».

Ao mesmo tempo, decorrem campanhas de solidariedade destinadas a furar o bloqueio e a enviar para Cuba medicamentos, alimentos, material hospitalar e escolar e tudo o mais o que a agressão norte-americana procura impedir que chegue ao povo cubano. Em Portugal, no âmbito da campanha “Por Cuba! Fim ao Bloqueio!”, já rumou a Cuba um contentor com material diverso e outros se seguirão. Há dias chegou a Cuba o segundo “comboio europeu” com ajuda solidária, 28 dias após o primeiro, no qual participou a Associação de Amizade Portugal-Cuba.

Apoio político e material

Mais de um milhar de trabalhadores da refinaria de Cienfuegos trabalham ininterruptamente, 24 horas por dia, para garantir gasolina, gasóleo e gás a partir da doação de petróleo por parte da Rússia, informa o jornal do Partido Comunista de Cuba, Granma. O Presidente da República de Cuba, Miguel Diaz-Canel, agradeceu a solidariedade da Rússia e enalteceu as relações estreitas e fraternais do seu país com a Rússia e a China.

Entretanto, a República Popular da China manifestou o seu apoio à declaração conjunta de Brasil, México e Espanha, apresentada em Barcelona no dia 18. Os três países, e também a China, expressam preocupação pela situação humanitária em Cuba, resultante do cerco energético imposto pelos EUA desde finais de Janeiro deste ano, e reiteram a necessidade de respeitar a sua integridade territorial. Afirmando a defesa de princípios do direito internacional, estes países comprometeram-se a intensificar a ajuda a Cuba.

A posição da China foi reafirmada por um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que sublinhou que: «A China está pronta para trabalhar com todas as partes para apoiar firmemente Cuba na salvaguarda da sua soberania e segurança nacionais.»

Para além do apoio político, a China tem vindo a alargar a cooperação com Cuba, ao nível da energia ou da alimentação. Tem também acelerado o envio de equipamentos fotovoltaicos destinados a hospitais e centros médicos e às comunidades mais afectadas pelos cortes de energia. O objectivo assumido é o de contribuir para a redução dos impactos imediatos dos apagões e para aumentar a capacidade de geração de energia eléctrica no país.

Particularmente activo no envio de ajuda material para Cuba tem estado também o México, que pela voz da sua Presidente, Claudia Sheinbaum, tem reafirmado a sua oposição ao bloqueio e a sua determinação em prosseguir o apoio ao país caribenho e ao seu povo.

 

Resistência e unidade

Cuba iniciou uma campanha nacional de apoio à «irrenunciável vocação de paz, essência da nação cubana». Sob o lema «A minha assinatura pela pátria», esta iniciativa percorrerá locais de trabalho, instituições de ensino e entidades públicas, com o objectivo de apoiar a recente declaração do Governo cubano, que denuncia as pretensões de agressão militar e o brutal cerco energético por parte dos EUA, que agrava a política genocida de bloqueio das últimas seis décadas. O primeiro a assinar o texto foi o Presidente da República, Miguel Diaz-Canel.

Já no início do mês, centenas de jovens desfilaram em Havana, de mota, bicicleta, trotinetas e outros veículos, para celebrar os aniversários da Organização de Pioneiros José Martí e da União de Jovens Comunistas. Num momento em que 80% da população viveu toda a sua vida sob o bloqueio, a dirigente da UJC, Meyvis Estévez Echeverría, declarou que da juventude cubana só se pode esperar «continuidade e unidade em torno do Partido e da Revolução».

Para o 1.º de Maio são esperadas novas jornadas de resistência, unidade e luta anti-imperialista.

 

 



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