Italianos defendem a sua Constituição
Em Itália, o governo dirigido por Georgia Meloni queria alterar a Constituição em normas que fragilizavam a independência da Justiça, mas os italianos disseram “Não” em referendo, realizado no final de Março. Os efeitos dos resultados, porém, ainda se fazem sentir.
O Comité Político Nacional do Partido da Refundação Comunista (PRC) valorizou aquela que considera ser a «primeira grande derrota do governo de direita desde 2022». Os 15 milhões de eleitores que votaram “Não”, «independentemente de diferenças internas e motivações específicas, identificaram o conteúdo da proposta de reforma constitucional como um projecto autoritário e reaccionário, capaz de colocar em xeque as estruturas democráticas da República conquistadas pela Resistência», garante.
Apesar do «golpe significativo» sofrido, o PRC salienta que a agenda da direita «ainda não foi interrompida». Seria um erro, aliás, «considerar um movimento de direita com raízes sólidas no país, que expressa tendências fascistas muito fortes nesta fase do capitalismo e que se organiza internacionalmente, como definitivamente derrotado». Pelo contrário, lança uma ofensiva «em grande escala», tanto internamente como a nível internacional, expressa na «intensificação da agressão imperialista, visando monopolizar recursos e explorar populações».
Para o Partido da Refundação Comunista, são batalhas fundamentais bloquear a «insana corrida armamentista e libertar o continente do neoliberalismo e da NATO. A luta política contra o governo Meloni é para prosseguir, acrescenta, apelando às forças que se lhe opõem para que trabalhem em prol de uma Frente Democrática pela Constituição.
Sinal de futuro
Também o Partido Comunista Italiano (PCI) valorizou a «retumbante vitória do “Não”», que envia um sinal claro e inequívoco de que a Constituição «não é alterada por conveniência política, mas antes respeitada e aplicada». Lembrando os meios utilizados pelo governo para assegurar a vitória do “Sim”, ultrapassando muitas vezes os limites legais, o PCI sublinha que «alterar a Constituição é um acto delicado, que exige o respeito pela história e pelo sacrifício daqueles que a construíram e legaram ao país».
O PCI salienta particularmente o contributo das novas gerações para a derrota da proposta do governo: 61 por cento dos eleitores entre os 18 e os 34 anos votaram “Não”. E realça que este resultado representa o crescimento da exigência de uma «mudança real, que coloque o trabalho, a igualdade, os direitos humanos e a dignidade no centro». Daí a vitória do “Não” ser também, para o Partido Comunista Italiano, um «ponto de partida» e um sinal «de que é possível uma alternativa e de que uma fatia cada vez maior do país está pronta para a construir».




