Reunidos na Índia, países do BRICS reafirmam cooperação

Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países que integram o BRICS reuniram-se nos passados dias 14 e 15, em Nova Deli, e acordaram uma posição comum que reafirma a cooperação em diversas áreas.

O BRICS reitera a necessidade de pôr fim às medidas económicas, comerciais e financeiras contra Cuba

Sob presidência da Índia, o lema da reunião foi «Construindo para a resiliência, a inovação, a cooperação e a sustentabilidade». Na declaração final, de 63 pontos, foi reiterada a necessidade de pôr fim às medidas económicas, comerciais e financeiras contra Cuba. Os participantes expressaram a preocupação pela situação a que este país está submetido e realçaram o princípio da América Latina e das Caraíbas como “zona de paz”, baseada no respeito mútuo e na não intervenção, o que reflecte o apoio do BRICS às exigências de respeito da soberania e de justiça por parte de Cuba, que enfrenta a agressão e as ameaças beliscistas dos EUA.

No documento, os ministros apoiaram uma reforma profunda no Conselho de Segurança das Nações Unidas e nas instituições financeiras internacionais (nomeadamente o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial), para dar maior voz aos países em desenvolvimento e ao chamado “Sul Global”.

Sobre a região do Médio Oriente e África do Norte, reafirmaram o estabelecimento de um Estado soberano, independente e viável da Palestina dentro das fronteiras internacionalmente reconhecidas de 1967, que incluem a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, com Jerusalém Oriental como sua capital. De igual modo, condenaram os contínuos ataques israelitas à Faixa de Gaza, exigindo um cessar-fogo imediato e incondicional e o pleno acesso de auxílio humanitário. Relativamente ao Líbano, reiteraram o pleno cumprimento do cessar-fogo e a retirada das forças israelitas de todo o território.

Expressaram ainda sua preocupação pela grave situação humanitária no Sudão e apelaram a uma cessar-fogo permanente.

Entre outros aspectos, a declaração denuncia também as medidas coercitivas unilaterais contrárias ao direito internacional.

Intercâmbio em múltiplos planos

Os representantes dos países membros e parceiros dos BRICS concordaram em cooperar igualmente em temas como o comércio, a indústria, as finanças, a inteligência artificial, a segurança energética, o clima, a biodiversidade e a sustentabilidade, a saúde, o fomento da produtividade agrícola e a garantia da segurança alimentar e nutricional a nível mundial. E estabeleceram o compromisso de trabalhar para o desenvolvimento das cadeias de abastecimento, a redução do risco de desastres e os intercâmbios entre povos, os quais – sublinha a Índia – constituem uma prioridade fundamental para a presidência rotativa do país sul-asiático.

Procurar a convergência na diversidade

Contudo, esta reunião realizou-se sob o negativo impacto da escalada agressiva dirigida pelo imperialismo norte-americano, com o apoio dos seus aliados, seja na América Latina e Caraíbas, no Médio Oriente ou no plano mundial, visando directa ou indirectamente países que integram o BRICS – como Cuba, o Irão ou a Rússia, entre outros – o que tem, objectiva e subjectivamente, repercussões no seio do grupo. Recorde-se que o BRICS foi criado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e que reúne ainda outros países, como Egipto, Etiópia, Indonésia, Irão, Emiratos Árabes Unidos ou ainda a Arábia Saudita. Integram ainda o grupo com o estatuto de parceiros, Bielorrússia, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietname.

Apesar das diferenças entre os países que o integram, o BRICS constitui um importante espaço de cooperação, tendo em vista a criação de uma nova ordem mundial que assegure mais justiça nas relações entre os povos.

 



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