A ameaça
Se não fosse tão grave quase que daria para rir: a administração norte-americana considera Cuba uma “ameaça inusual e extraordinária” à sua segurança nacional e política externa.
Sim, leram bem: a maior potência militar do planeta, com um exército imenso e bem armado, um imponente arsenal nuclear e centenas de bases e frotas navais espalhadas pelos quatro cantos do mundo, garante sentir-se “ameaçada” por um pequeno país insular, obrigado a somar à batalha contra o subdesenvolvimento herdado pela dominação colonial e a tutela imperialista um combate tenaz contra um ilegal bloqueio económico, financeiro e comercial que o priva de recursos fundamentais à satisfação de necessidades básicas do seu povo. A potência imperialista que organizou invasões, orquestrou centenas de tentativas de assassinato do Comandante Fidel Castro e de outros dirigentes revolucionários, perpetrou atentados terroristas contra plantações e hotéis e assassinou cubanos por esse mundo fora, gastou muitos milhões a promover a subversão e a intoxicação ideológica, acusa o alvo de todos estes crimes de ser uma ameaça.
Por mais ridículo que seja, é invocando esta “ameaça” que os EUA têm vindo a apertar o garrote visando asfixiar o país caribenho e abrir a porta a mais uma agressão militar: há dias, numa encenação de decisão judicial, abriram um processo contra Raul Castro; no final de Janeiro, impuseram um “cerco petrolífero”, através de um bloqueio naval e da imposição de pesadas sanções a quem vendesse petróleo ou derivados a Cuba, alargando pouco depois as penalizações a outros produtos e serviços nas áreas da energia, da exploração mineira, da defesa. O resultado é conhecido: apagões frequentes e muitas vezes prolongados, efeitos graves nos sectores da saúde, da educação, dos transportes, da produção alimentar, o quotidiano ainda mais difícil para 10 milhões de pessoas. Imaginemos o que se seria de nós, em Portugal, privados de electricidade, de medicamentos, de alimentos, por um mês que fosse? Quanto tempo aguentaríamos antes do País colapsar? Não muito, pelo menos a julgar pelo apagão de algumas horas em Abril do ano passado e pelas tempestades do início de 2026. Mas a heróica Cuba resiste!
Toda esta conversa da “ameaça” torna-se ainda mais absurda quando são os EUA a alardear abertamente a possibilidade de invadirem Cuba. O que fazem as autoridades cubanas perante tudo isto? Apelam à solidariedade de Estados amigos e povos irmãos, garantem que não ameaçam ninguém, que estão empenhadas na paz, mas que em caso de invasão defenderão a sua soberania…
A única ameaça que Cuba representa para o imperialismo norte-americano é a de mostrar que outro caminho é possível: de progresso, justiça social e solidariedade. É isto que os EUA não toleram e pretendem destruir.




