«Pausa» nos ataques dos EUA contra o Irão
Evidenciando os seus limites, os EUA suspenderam no fim de semana os ataques contra território iraniano, depois de 13 dias seguidos de bombardeamentos aéreos contra alvos militares e civis. Decorreram, entretanto, conversações entre o Irão e Omã sobre a navegação no Estreito de Ormuz.
Irão adverte EUA que ataques contra infra-estruturas civis, como pontes e centrais eléctricas, constituem crimes de guerra
As forças armadas dos Estados Unidos da América (EUA) suspenderam os ataques contra o Irão, no sábado, 25, depois de 13 dias seguidos de vagas de bombardeamentos contra alvos militares e civis.
Segundo a agência chinesa Xinhua, a partir de Washington, a notícia foi publicada por vários meios de imprensa norte-americanos, embora as explicações para a suspensão sejam diversas.
A CNN citou uma fonte do Pentágono que afirmou que as operações estavam «em pausa», sem especificar a duração.
Por sua parte, a CBS, a partir de duas fontes regionais, indicou que Washington tinha suspendido os ataques para evitar interromper a visita de uma delegação de Omã a Teerão para dialogar sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.
O New York Times informou que o presidente norte-americano, Donald Trump, tinha descartado os planos para uma escalada drástica depois dos seus assessores de alto nível alertarem sobre a diminuição das reservas de defesa aérea dos EUA. O chefe do estado-maior conjunto, Dan Caine, advertiu que o retomar de operações em grande escala poderia esgotar os mísseis disponíveis pelo Comando Central (Centcom) dos EUA, segundo o jornal, citado pela Xinhua.
Os EUA dispararam recentemente mais de 1200 mísseis Patriot, cada um com um custo superior a quatro milhões de dólares americanos.
Entretanto, segundo fontes militares iranianas, o Irão deixou no dia 25 de atacar bases e interesses norte-americanos no Golfo Pérsico – sobretudo no Kuwait, Barém, Jordânia –, de acordo com a sua estratégia baseada na «retaliação», uma vez que os EUA deixaram de bombardear o seu território.
Ao longo das últimas semanas, Washington lançou sucessivas operações contra território iraniano, enquanto Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases, instalações militares e empreendimentos vinculados aos EUA em vários países da região.
Esta escalada ocorreu apesar do memorando assinado em Junho por Washington e Teerão, que contempla um cessar-fogo e o início de negociações para alcançar um acordo mais amplo. Contudo, o presidente norte-americano declarou a 8 de Julho o fim da trégua devido aos ataques contra petroleiros no Estreito de Ormuz, atribuídos pelos EUA ao Irão. Os norte-americanos recomeçaram posteriormente os seus bombardeamentos contra território iraniano e os iranianos intensificaram as represálias com ataques na região.
Conversações entre Irão e Omã
O Irão anunciou no domingo, 26, avanços nas conversações técnicas com Omã sobre a gestão do Estreito de Ormuz, num quadro em que Teerão pretende regular a navegação na zona, através da cobrança, aos navios que atravessam a estratégica via, de taxas por serviços prestados e compensações ambientais.
«Realizaram-se em Teerão várias rondas de diálogo entre o Irão e Omã a nível de vice-ministros dos Negócios Estrangeiros, durante as quais as duas partes trocaram pontos de vista sobre princípios comuns e mecanismos operacionais para gerir o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, respeitando os direitos soberanos dos Estados ribeirinhos», precisou um porta-voz. Acrescentou que durante as conversações foram alcançados avanços significativos e assinalou que a comunicação entre os dois países continuará no futuro.
Irão acusa EUA de crimes de guerra
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei, acusou o governo dos EUA de tentar normalizar o cometimento de crimes de guerra.
Num comunicado difundido no dia 24, Baghaei acusou Washington de pretender sacrificar o que resta do direito internacional humanitário e dos valores humanitários em favor das suas políticas belicistas. E advertiu que os ataques contra infra-estruturas civis, como pontes e centrais eléctricas, constituem uma violação do direito internacional.
Baghaei qualificou essas acções como actos de represália e castigo colectivo, práticas que, segundo afirmou, estão expressamente proibidas e podem constituir crimes de guerra tanto em virtude do direito internacional como da própria legislação norte-americana.




