EUA e Arábia Saudita assinam acordo nuclear
Os governos dos Estados Unidos da América (EUA) e da Arábia Saudita assinaram no dia 22 de Julho um acordo de cooperação energética nuclear válido por um período de 30 anos, acordo que não inclui as habituais salvaguardas internacionais para impedir o desenvolvimento de armas atómicas.
O documento, conhecido por «Acordo 123», foi subscrito pelo secretário de Energia norte-americano, Chris Wright, e o ministro da Energia e Indústria saudita, Abdulaziz bin Salman. A iniciativa, que requer a ratificação do Congresso norte-americano, ocorre no contexto das agressões militares dos EUA e Israel contra o Irão a pretexto do programa nuclear de Teerão.
O convénio fundamenta-se na secção 123 da Lei de Energia Atómica dos EUA, de 1954, e contempla o desenvolvimento de um programa nuclear civil multimilionário que outorga a empresas norte-americanas acesso preferencial ao sector energético saudita.
Um comunicado do governo dos EUA assegura que a iniciativa persegue «fins pacíficos» e está comprometida com a «não proliferação nuclear», mas até peritos e legisladores do Partido Democrata criticaram o pacto e advertiram que as condições nele estabelecidas permitem a Riad enriquecer urânio no seu território, abrindo uma via técnica para o armamento nuclear. A oposição democrata pediu ao Congresso que rejeite a medida, mas o Partido Republicano mantém a maioria em ambas as câmaras do parlamento.
Diversas vozes fizeram-se ouvir para recordar declarações anteriores do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, que garantiu que o seu país procuraria adquirir a bomba atómica se o Irão conseguisse desenvolver a sua.
Soube-se, entretanto, que o presidente dos EUA estabeleceu uma condição explícita para o desenvolvimento do programa nuclear civil saudita: a normalização das relações diplomáticas de Riad com Israel.
O próprio Donald Trump, através da sua plataforma digital, assinalou que o tratado, gerido pelo Departamento de Energia, «está totalmente condicionado a que a Arábia Saudita adira aos muito respeitados e exitosos Acordos de Abraão».




