Partilha obrigatória é perversa e inaceitável

Ao defender a imposição legal de partilha obrigatória na licença parental inicial, como condição para aceder ao subsídio a 100 por cento ou ao período alargado da licença, a ministra do Trabalho assumiu uma posição «verdadeiramente perversa e completamente inaceitável, porque ignora as causas da discriminação e da desigualdade, contribuindo, ao invés, para agravar as suas consequências».

A Comissão da CGTP-IN para a Igualdade entre Mulheres e Homens (CIMH/CGTP-IN) reagiu assim, no dia 23, às declarações da ministra numa audição realizada na véspera, na Assembleia da República.

A posição da ministra, como a CIMH/CGTP-IN afirmou, num comunicado de imprensa, contraria o diploma que foi aprovado na AR, em Janeiro deste ano, com abstenção do PSD e do CDS e os votos a favor de todos os demais partidos – correspondendo a uma Iniciativa de Cidadãos que recolheu mais de 42 mil assinaturas.

O alargamento da licença parental inicial até aos 180 dias, com remuneração a 100 por cento, independentemente da partilha entre progenitores, foi aprovado, na generalidade, para entrar em vigor com a aprovação do Orçamento do Estado para 2027.

A partilha obrigatória, defendida pela ministra, «ignora (intencionalmente) as desigualdades que afectam as mulheres – mais precariedade laboral, menores salários, mais tempo gasto nas tarefas domésticas e de cuidado, maioria das famílias monoparentais – e que, enquanto estas não forem erradicadas, não há licença “obrigatória” que garanta a igualdade ou a partilha igualitária de responsabilidades familiares», salientou a CIMH/CGTP-IN.

 



Mais artigos de: Trabalhadores

Descontentamento no têxtil e vestuário

O Sindicato dos Trabalhadores do Sector Têxtil da Beira Baixa verificou que há «um profundo descontentamento, relativamente às condições de trabalho». Após duas semanas de plenários, em fábricas têxteis e de vestuário, o sindicato da FESETE/CGTP-IN destacou, como motivo de grande insatisfação, o valor do subsídio de...

Soberania energética como tapa-buracos

«A soberania energética não se vende para tapar buracos», protestou a Comissão Central de Trabalhadores (CCT) da Petrogal, na sexta-feira, dia 24, exigindo que o Governo recue na intenção de alienar a participação, de mais de oito por cento, que o Estado (através da Parpública) detém na Galp Energia, para que a receita...

Campanha na hotelaria

A FESAHT/CGTP-IN e os seus sindicatos prosseguem as acções de denúncia e protesto contra os baixos salários e o incumprimento dos direitos reconhecidos na contratação colectiva (cuja revisão as organizações patronais recusam negociar). Nos últimos dias, foram realizadas iniciativas no...

Vitória e luta nas ruas

No Parque Verde em Coimbra (na foto), a União dos Sindicatos do distrito promoveu, na terça-feira da semana passada, dia 21, uma «Tribuna da Vitória», para realçar a importância da derrota do pacote laboral, por força da unidade e da luta dos trabalhadores. Intervieram Anabela Sotaia, da...