As prisões da miséria
«Exercemos capacidades para recolher informação e fazemo-lo através de uma variedade de métodos únicos e inovadores, e nenhum é tortura», foi a resposta dada por Porter Goss, actual director da CIA, quando questionado sobre se os agentes secretos norte-americanos recorrem a métodos de tortura contra prisioneiros.
Em entrevista ao diário USA Today, Goss não acrescentou mais explicações, mas acabou por esclarecer que «a luta contra o terrorismo» não se enquadra nas «normas estritas» de «uma organização burocrática», por isso, «dentro da lei, temos de desenvolver agilidade, e isso supõe delegar em indivíduos no estrangeiro a possibilidade de aplicarem os seus critérios».
A questão dos centros de detenção e tortura na Europa e na Ásia também não foi aclarada por Goss, e nem o facto de vários países «aliados» se encontrarem sob suspeita de permitirem voos e instalações secretas da CIA fez com que o responsável abordasse a questão. Pelo contrário, o director da CIA arrumou o assunto dizendo que «nações soberanas têm ideias divergentes e, portanto, é uma boa ideia, mesmo tratando-se dos melhores amigos, guardar segredos».
Na sua edição de sexta-feira da semana passada, o Washington Post voltou ao tema e revelou que a CIA é o principal financiador de cerca de 20 centros de espionagem espalhados pela Europa, Ásia e Médio Oriente, contando com a estreita colaboração das secretas da França, Inglaterra, Alemanha, Canadá e Austrália.
A transferência de prisioneiros, com ou sem o conhecimento dos países de passagem, também continua por apurar e Portugal foi envolvido na polémica.
Entretanto, o PCP entregou na AR um segundo pedido de esclarecimento sobre a matéria e Jerónimo de Sousa, secretário-geral comunista e candidato à Presidência da República exigiu, numa intervenção em Palmela, «que é tempo de acabar com o silêncio comprometedor e proceder, não só à investigação das actividades da CIA em território nacional, como interditar o espaço aéreo português aos seus aviões».


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