A ameaça «catastrofista»
de deslocalização
não tem fundamento
Continuam na Autoeuropa diálogo e luta

MULTINACIONAL Um dia depois de o presidente executivo da Volkswagen ter afastado a hipótese de transferir a produção do T-Roc, a administração da Autoeuropa anunciou investimentos na fábrica.

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A informação foi dada dia 14, na segunda reunião sobre organização dos horários de trabalho, após a greve de 30 de Agosto, entre representantes sindicais (Comissão Sindical da Autoeuropa, direcção do SITE Sul e federação intersindical da indústria) e da administração da Volkswagen Autoeuropa. «A administração, na reunião de hoje, deu conta de investimentos previstos nas carroçarias e pintura», refere-se no comunicado que o sindicato distribuiu nessa tarde aos trabalhadores.

Para o SITE Sul, «tal como temos vindo a afirmar desde o dia 28 de Agosto, não tem qualquer fundamento agitar a ameaça catastrofista de deslocalização da produção».

O sindicato da Fiequimetal/CGTP-IN começou por lembrar declarações do presidente executivo da Volkswagen, no dia 13, que «vieram desmentir todos aqueles que utilizaram e continuam, de forma irresponsável, a utilizar o cenário da deslocalização para pressionarem os trabalhadores».

Num encontro com jornalistas portugueses no Salão Automóvel de Frankfurt, Herbert Diess afirmou esperar que a VW «não está a considerar outras opções» para a produção do novo modelo T-Roc, até porque seria «muito dispendioso alterar o local de fabrico», como citou a agência Lusa.

No comunicado, recorda-se que «a decisão de fabricar o novo modelo na Autoeuropa remonta a 2015 e deveria ter suscitado na administração a necessidade de projectar novos investimentos, designadamente na ampliação das instalações, de forma a harmonizar a produção com uma gestão do tempo de trabalho que garanta boas condições laborais e a qualidade de vida a que os trabalhadores têm direito». O SITE Sul revela que na reunião de dia 14 «propusemos à administração que seja equacionada agora uma resposta a esta necessidade».

O sindicato reafirmou «a defesa da posição expressa pelos trabalhadores». Sem revelar se obteve, ou não, resposta patronal, o SITE Sul informa que questionou «se a administração, desde a reunião que tivemos no passado dia 7, evoluiu alguma coisa no estudo de uma solução alternativa, para estabelecer uma organização da produção que não impeça a conciliação entre a vida profissional, pessoal e familiar, que trave o crescimento de doenças profissionais e o aumento do absentismo, sem a obrigatoriedade do trabalho ao sábado e sem folgas rotativas, contribuindo assim para o aumento da produtividade e indo ao encontro das justas reivindicações dos trabalhadores».

A rejeição da intenção da administração «foi clara e fundamentadamente rejeitada, tanto nos plenários promovidos pela Comissão de Trabalhadores, como na votação de 28 de Julho, nos plenários de 28 de Agosto e na greve de 30 de Agosto», lembra a Fiequimetal, ao noticiar no seu sítio electrónico o comunicado do sindicato, reiterando que a proposta da empresa deve ser retirada e deve ser encontrada uma alternativa.

Uma nova reunião entre a administração e a estrutura sindical da CGTP-IN na Autoeuropa deverá ter lugar ainda antes da eleição da Comissão de Trabalhadores, marcada para 3 de Outubro, informou ainda o SITE Sul.

 



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