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Ilda Figueiredo leva ao
Parlamento Europeu
as
dificuldades dos pescadores e armadores portugueses
Contribuir para o debate

Na sequência dos encontros que manteve com pescadores e pequenos armadores, a eurodeputada comunista Ilda Figueiredo levou ao Parlamento Europeu as dificuldades económicas por que o sector está a passar, colocando a necessidade de apoios financeiros para o mesmo.

Depois de ter visitado Matosinhos, Ilda Figueiredo esteve em Olhão e Fuzeta, onde, acompanhada de dirigentes locais do PCP, ouviu pescadores e armadores e, ainda, a Direcção do Sindicato dos Trabalhadores da Pesca do Sul sobre as dificuldades resultantes da paralisação, há mais de 18 meses, da frota que opera em Marrocos, os problemas relacionados com a paragem biológica da pesca da ganchorra e os problemas sociais provenientes desta situação para os pescadores e as suas famílias.

Ilda Figueiredo considerou inadmissível a situação e, manifestando aos trabalhadores com quem se encontrou a solidariedade do PCP, informou-os sobre a última decisão do Conselho de Ministros da UE, no sentido de convidar a Comissão Europeia das Pescas a apresentar um Programa de reestruturação da frota atingida, o que, em sua opinião, apenas significa adiar o problema até nova reunião dos ministros das Pescas, daqui a dois meses.

A eurodeputada, dando, ainda, conhecimento da discussão neste momento em torno do Livro Verde Sobre o Futuro da Política Comum de Pescas, apelou aos que queiram contribuir para o debate, o envio para a Comissão Europeia, até 30 de Setembro, das suas observações e críticas.

Ilda Figueiredo recordou, depois, os alertas do PCP sobre os malefícios para as nossas pescas da sua integração na Política Comum de Pescas e manifestou as preocupações pelo o facto de, no Livro Verde, todos os países serem tratados de igual forma, já que havendo muitos que não cumpriram os Planos Operacionais de Pesca, Portugal, pelo contrário, foi o que mais embarcações abateu, maior redução do esforço de pesca fez e mais postos de trabalho destruiu.

O PCP tem acompanhado todos estas questões, propondo-se a Comissão Concelhia de Olhão, nomeadamente, analisar com os pescadores e armadores do concelho as questões relacionadas com a reforma da Política Comum de Pescas.

Investir no Vale do Sousa

Ilda Figueiredo vem, entretanto, contactando outros sectores de actividade. Na sexta-feira passada, por exemplo, acompanhada de uma delegação da Direcção Sub-Regional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega do PCP, reuniu com a Associação de Municípios do Vale do Sousa, com quem trocou opiniões sobre o actual estado da região.

À discussão veio, nomeadamente, o facto de apesar de o estudo realizado em 1991 pela Quaternaire apontar para a necessidade de um Plano de Desenvolvimento Integrado do Vale do Sousa, visando o combate ao atraso em infra-estruturas, com investimentos superiores a 100 milhões de contos, só alguns anos mais tarde ter sido criado o PROSOUSA - Programa de Desenvolvimento Integrado. Este Programa foi incluído no Quadro Comunitário de Apoio, chegando o ex-ministro João Cravinho a prometer 60 milhões de contos, mas... o II QCA terminou e nem 10% do investimento prometido havia sido concretizado. Entretanto, no III QCA o que aparece é apenas uma Acção Integrada de Base Territorial do Vale do Sousa a que foi atribuída uma verba de 5 milhões de contos.

A situação é, pois, de continuadas carências na região, designadamente ao nível das acessibilidades - como a tragédia da Ponte de Entre-os-Rios evidenciou -, pelo que Ilda Figueiredo e a delegação do PCP comprometeram-se a pugnar pela concretização de um autêntico plano de desenvolvimento da região e, para isso, a defender junto do Governo e das instituições comunitárias os necessários investimentos e fundos.

«Avante!» Nº 1433 - 17.Maio.2001