Armindo Miranda
Membro da Comissão Política
É mesmo assim. Segundo estudos feitos e já tornados públicos, os lucros da banca em Portugal durante o ano 2000 chegaram aos 370 milhões de contos. E, para 2001, apontam para um aumento superior a 20%.
Trata-se de lucros fabulosos se tivermos em conta a situação económica do país e em especial as condições de vida de muitos milhares de trabalhadores que com o salário mínimo nacional ou com pouco mais que isso tentam fazer face às despesas mensais em casa.
Um milhão de contos de lucro por dia dá uma ideia das situações anacrónicas, em termos de justiça social, criadas pela lógica do lucro, regra sagrada e implacável do sistema capitalista. É que quem alimenta em boa parte a gula destes autênticos vampirosdo sangue alheio são:
- centenas de milhares de famílias que mensalmente depositam nos bancos uma boa parte do seu salário para pagar a renda que as altas taxas de juro praticadas lhes exigem;
- muitos milhares de jovens casais, na sua grande maioria contratados a prazo e até desempregados, que só conseguem suportar as altas mensalidades que pagam aos bancos, recorrendo à ajuda dos pais ou privando-se de muitas coisas a que têm direito, como jovens cidadãos que produzem para o país e pagam os seus impostos (cresce mensalmente o número de casos em que não conseguem pagar as prestações ao banco e são postos na rua);
- muitos milhares de micros, pequenos e médios empresários que são sugados até ao tutano pelo capital financeiro por serem obrigados a recorrer aos empréstimos bancários para garantir a sobrevivência das suas empresas.
Um milhão de contos de lucro por dia, esta realidade, torna mais transparente o conteúdo de classe da política do governo/PS, em benefício de uma minoria de capitalistas e em prejuízo da grande maioria dos portugueses nomeadamente dos assalariados e das camadas sociais mais desfavorecidas. Neste contexto assumem ainda mais gravidade os alertas de Vítor Constâncio, Governador do Banco de Portugal, aconselhando mais moderação nos aumentos salariais dos trabalhadores nomeadamente dos da Função Pública.
A postura é de combate
Entretanto crescem as dificuldades de grande parte dos portugueses. Mantêm-se a injusta política de rendimentos, baixos salários e baixas pensões de reforma, acentua-se o aumento dos preços nomeadamente os de primeira necessidade. Aumentam os fenómenos de pobreza e de exclusão social e a insatisfação cresce nas áreas da saúde, educação e segurança das populações.
É fundamental a ruptura com esta política de direita e a implementação de outra política de esquerda que não veja nos salários e no aumento do poder de compra dos trabalhadores um inimigo mas um aliado do processo de desenvolvimento económico.
Para isto é determinante, a cultura e postura de combate que a experiência do nosso partido nos indica ser um poderoso factor de atracção e mobilização de vastas camadas e classes sociais paraa luta revolucionária pela transformação da sociedade.
Neste contexto, reveste-se de grande significado e importância a resolução, aprovada na última reunião do Comité Central do nosso Partido, sobre a intervenção e organização no seio da classe operária e dos trabalhadores, que, tal como é dito também nesta resolução, não significa o alheamento ou abandono de acção do partido junto das outras camadas e classes sociais.
Trata-se de uma gigantesca tarefa que temos pela frente mas, como dificuldades
não significa impossibilidades e este Partido está habituado a
fazer-lhes frente e a levá-las de vencida, também neste caso o
grande colectivo partidário encontrará o caminho para levar a
nossa mensagem à razão e ao coração de milhares
de jovens operários e outros assalariados, que tanto precisam de a conhecer,
interpretar e assimilar para a evolução da sua consciência
social e política. Com eles reforçaremos a cultura e postura de
combate do nosso Partido. Com eles e todos os outros trabalhadores continuaremos
a fazer história e construir futuro. Um futuro onde os exploradores,
amigos do alheio, não possam continuar a ganhar um milhão de contos
de lucro por dia.![]()
«Avante!» Nº 1433 - 17.Maio.2001