• Margarida Folque

Por um PCP mais forte
Organizar é decisivo

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«Quem quiser olhar e entender o PCP e a sua luta; quem quiser despir-se de preconceitos e fazer uma viagem pela sua história, perceber de onde vem a sua força, a sua combatividade», deve ler «O Partido com Paredes de Vidro», uma das mais profundas reflexões de Álvaro Cunhal sobre os comunistas e o seu Partido a partir da realidade e experiências concretas, em que ganha particular destaque «a dimensão da intervenção humana – individual e colectiva – do grande empreendimento libertador que constitui o ideal comunista».

José Capucho, que assim introduz o debate sobre «O Partido com Paredes de Vidro – Projecto, intervenção e luta do PCP», acrescenta que o livro «fala-nos ainda de uma moral nova e superior dos comunistas», que lhes é própria e «contrária à exploração e à opressão capitalista».

Esta obra define «organização» como «um princípio geral e universal do Partido», adianta por sua vez Jaime Toga, para quem a palavra traduz duas realidades distintas mas complementares: no sentido da «disposição e arrumação hierarquizada e funcional dos militantes» e no sentido mais lato, da planificação e definição de objectivos, determinação e calendarização dos actos, mobilização e distribuição de recursos, fixação de tarefas, a sua direcção e execução. A organização é, aliás, um dos factores determinantes da força do Partido e da sua capacidade de realização colectiva.

Neste ensaio, Álvaro Cunhal sublinha a importância da ligação do Partido às massas, adianta ainda Armindo Miranda, que cita um parágrafo do capítulo «Organização e trabalho de massas», onde se pode ler que «uma organização que se fecha em si própria, que se volta para dentro, que não estabelece ou perde a ligação com as massas, está condenada a estiolar e a morrer sem nada deixar atrás de si». De resto, «nenhuma revolução profunda da carácter social foi até hoje realizada sem a participação activa e criativa das massas populares».

«Avante! por um PCP mais forte nas empresas e locais de trabalho» foi o tema de outro debate que, pode-se dizer, complementou o primeiro. Por ali passou a realidade hoje da organização do Partido, das suas dificuldades, dos seus êxitos, das suas perspectivas.

Na verdade, como lembrou Margarida Botelho, o PCP é alvo mais do que nunca de uma intensa campanha política e ideológica, na medida em que «é o maior obstáculo à concretização dos grandes objectivos do capital». Daí que, quanto mais forte for o PCP mais difícil será ao grande capital alcançar os seus objectivos.

O Partido dá, entretanto, prioridade à organização por empresa e local de trabalho, sublinhou Paula Henriques, que lembra ser a célula de empresa «o alicerce, o elo fundamental de ligação à classe operária e aos trabalhadores, instrumento para a luta de massas» e o grande factor de consciencialização dos trabalhadores.

É no local de trabalho que se situa «o cerne da exploração dos trabalhadores, o cerne da luta e classes», disse, lembrando, porém, que face à dificuldade de constituição de células, resultante da precariedade, da desarticulação dos horários, da existência de turnos, dos baixos salários, da repressão nas empresas há que encontrar sempre novas formas de organização.

Gonçalo, vindo do Porto, trouxe ali precisamente um conjunto de experiências vividas na sua região sobre formas diversas para atingir esse objectivo. E que passa desde logo pela necessidade de as Comissões Concelhias assumirem a organização por empresa e local de trabalho como uma prioridade.



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